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Opinião: A Cúpula do BRICS

O que é melhor: mandar ou ser mandado? Esta pergunta retórica – por incrível que pareça – é fundamental no desenho da ordem global

Marcus Vinícius de Freitas Por Marcus Vinícius de Freitas
25/08/2023
Em OPINIÃO
marcus-vinicius-foto

O que é melhor: mandar ou ser mandado? Esta pergunta retórica – por incrível que pareça – é fundamental no desenho da ordem global.  Os BRICS podem parecer um grupo artificial dadas as diferenças existentes entre os países e seus sistemas econômicos e políticos. No entanto, a necessidade de uma ordem mundial mais justa, com uma voz mais ativa do Sul Global é a sua principal marca. 

Embora se diga que o sistema internacional é anárquico, porque inexiste uma autoridade central – a Organização das Nações Unidas (ONU) está longe de desempenhar este papel – o fato é que existem países que, em razão de sua posição, história, armamentos nucleares e alguns outros fatores têm um papel determinante naquilo que acontece mundialmente. Dividem-se os países em duas categorias: “rule-makers” e “rule-takers” – aqueles que fazem as regras e aqueles que obedecem às regras. 

Entre os “rule-makers”, não há dúvida de que o G7, que congrega sete grandes economias globais – Alemanha, Canadá, Estados Unidos,  França, Itália, Japão e Reino Unido – tem exercido esse papel nas últimas décadas. Com isto, muitos países ficaram alienados do centro das decisões globais, sendo-lhes impossibilitada efetiva ascensão e relevância. Os países do G7 abusaram do poder econômico que possuem, interferiram militarmente em determinadas situações, desestabilizaram governos e sancionaram frequentemente àqueles que, de alguma forma, se opuseram às suas regras. E, em momentos de crise econômica, foram pouco solidários. 

No contexto da Guerra Fria, em que havia uma disputa ideológica dividia o mundo em dois polos – capitalistas e comunistas – até fazia sentido manter-se próximo ao G7. Encerrada a Guerra Fria, com o desenvolvimento econômico de muitas nações, o fim do colonialismo e graças ao comércio internacional, o G7, atualmente, é uma sombra daquilo que já representou no passado.

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A mudança dos ventos e dos tempos favorece novos mecanismos de cooperação e oferece enormes potencialidades que o redesenho da ordem global poderá oferecer, com o Brasil, efetivamente, assumindo um papel de maior relevância. 

Novos tempos são sempre introduzidos por elementos de ruptura. A pandemia da Covid-19 e a Guerra da Ucrânia constituem elementos disruptivos do início deste novo capítulo na Ordem Mundial, com a prevalência do século asiático, particularmente da China no epicentro das grandes modificações. No entanto, mudanças são necessárias e bem-vindas. 

Muitos seguirão enfatizando que o deslocamento do eixo global do Atlântico para o Pacífico é preocupante. Não é. Porque da Ásia estão vindo os novos motores de desenvolvimento, oriundos da revolução tecnológica, como novas possibilidades e fronteiras do conhecimento e da interação global. 

Este novo período da agenda global deverá ser repleto de evoluções tecnológicas. O mundo que se avizinha ampliará a possibilidade de maiores transformações na sociedade, por meio da inteligência artificial, biotecnologia, big data e um oceano de novas oportunidades que transformarão a vida, com possibilidades cada vez maiores de enormes saltos no desenvolvimento humano. O Brasil, como importante ator desta nova ordem global, deve assumir papel de liderança. 

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