
Depois do anúncio bombástico realizado pela Americanas (AMER3), através de fato relevante, afirmando rombo bilionário após inconsistências contábeis, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) anunciou que abriu nesta quinta-feira (12) dois processos administrativos para investigar o ocorrido com a empresa.
De acordo com a página da autarquia, um dos processos abertos vai ser focado na contabilidade da companhia, enquanto o outro vai tratar do anúncio do fato em si.
Também nesta quinta-feira (12), o ex-CEO da Americanas (AMER3), Sergio Rial, realizou uma teleconferência com investidores da companhia para começar a responder as perguntas do mercado. Na teleconferência Rial diz que problemas contábeis divulgados são questões antigas, que se arrastam a quase uma década (entre 7 a 9 anos) e que que essas incongruências na maneira de reportar a conta fornecedores não é um problema da Americanas, mas sim que se arrasta desde o anos 90 no setor, devido a diferentes forma de reportar essa rubrica. “Os R$ 20 bilhões são a nossa melhor estimativa dentro do que tivemos de informação nesses nove dias”, disse o executivo.
Americanas pode falir?
A sócia e analista da GTI, Paola Mello, comentou sobre a possibilidade da companhia varejista quebrar, durante entrevista à BM&C News, nesta quinta-feira (12). Ao ser questionada sobre uma possível falência de Americanas após este rombo contábil, Paola afirmou que existe essa possibilidade e explicou detalhadamente porque.
“Hoje a Americanas tem um patrimônio líquido ao redor de R $15 bilhões, então caso esse ajuste for inteiro feito contra patrimônio líquido, o patrimônio acaba negativo em R$ 5 bilhões”, destacou a analista. Além disso, em relação ao endividamento, Paola comentou que a companhia tem uma dívida bruta de um pouco mais de R$ 20 bilhões. Portanto, com caixa de R$ 8 bilhões. “Então a dívida líquida deve ser entre R$ 12 bi e R$ 13 bi, se adicionar mais R$ 20 bilhões de dívidas, a dívida superaria R$ 33 bilhões”, explicou.
Nesse sentido, Paola explicou que dos R$ 33 bilhões, cerca de R$ 22 bi é uma dívida no curto prazo. “É uma liquidez muito grande para uma liquidez de 12 meses, que é necessária”. “Eu não imagino que a Americanas consiga fazer uma capitalização dessa magnitude imediatamente”, disse a analista. “É uma situação bastante delicada, isso mostra porque a ação já abriu apontando para quedas expressivas”, completou. “Pode evoluir para um evento mais extremo como uma falência”, finalizou Paola.

