Em pleno litoral sul paulista, a 200 km da capital, sobrevive uma cidade que viu o Brasil nascer. Iguape, fundada em 3 de dezembro de 1538, completa quase cinco séculos abrigando o maior conjunto de casario colonial do estado e um trecho de Mata Atlântica reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação a Ciência e a Cultura (UNESCO).
A cidade que abrigou a primeira casa de fundição de ouro do Brasil
A história de Iguape começa antes mesmo dos portugueses. O litoral guarda sambaquis com vestígios de ocupação humana de mais de cinco mil anos, conforme registros do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
O primeiro núcleo se formou ao pé do Outeiro do Bacharel, no estuário do rio que batizou o município. Por volta de 1630, a Coroa Portuguesa instalou ali a Casa de Officina Real da Fundição do Ouro, considerada por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) a primeira do Brasil. Todo metal extraído de Eldorado, Iporanga e Apiaí passava por lá antes de seguir para o Tesouro Real em Santos.
No século XIX, o ciclo do arroz transformou a vila em um dos portos mais ricos do Império. A riqueza explica os sobrados imponentes que ainda contornam a Praça da Basílica.

Vale a pena viver em Iguape e como anda a qualidade de vida?
O destino é uma estância balneária reconhecida pelo governo paulista, com cerca de 29 mil moradores e o maior território municipal de São Paulo, com 1.977 km². O ritmo é de cidade pequena, com vida pacata e custo de vida baixo.
A economia gira em torno do turismo, da pesca artesanal e da extração sustentável de recursos da Mata Atlântica. Em julho de 2024, o município recebeu o certificado de integração no Mapa do Turismo Brasileiro, ferramenta do Ministério do Turismo que define prioridades de políticas públicas para o setor.
Para quem busca tranquilidade, contato com natureza preservada e patrimônio histórico vivo, o município oferece uma combinação rara no estado mais populoso do país.

Reconhecimento internacional pela ONU e proteção como Sítio Ramsar
O trecho de Mata Atlântica que começa na Serra da Juréia, em Iguape, e segue até a Ilha do Mel, no Paraná, foi declarado Reserva da Biosfera pela UNESCO em 1991. Em 1999, o mesmo trecho ganhou o título de Patrimônio Natural Mundial, reconhecimento concedido a áreas excepcionais em diversidade biológica e paisagística.
A Área de Proteção Ambiental de Cananéia-Iguape-Peruíbe foi reconhecida como Sítio Ramsar, área úmida de importância internacional, segundo o Instituto Oceanográfico da USP. A região é descrita como uma das mais ricas em biodiversidade de aves do planeta.
O centro histórico da cidade também é tombado pelo IPHAN desde 2009 como patrimônio nacional, reunindo o maior acervo colonial preservado do estado.
O que fazer em Iguape e onde comer bem na cidade?
O município concentra atrações que vão do casario tombado às praias semi-selvagens da Estação Ecológica da Juréia-Itatins. Entre os pontos imperdíveis estão:
- Centro Histórico: o maior conjunto colonial preservado de São Paulo, com casarões dos séculos XVIII e XIX e ruas de pedra, segundo o Turismo Paulista.
- Basílica do Senhor Bom Jesus de Iguape: templo construído em pedra portuguesa, argamassa e óleo de baleia entre os séculos XVIII e XIX.
- Museu Municipal: instalado no prédio que abrigou a Casa de Fundição de Ouro, com peças do período colonial.
- Praia da Juréia: 19 km de areia preservada, acessível por balsa, conforme a Secretaria de Turismo.
- Trilha do Morro do Espia: percurso de 2 km com mirantes para o Mar Pequeno e a Ilha Comprida.
- Estuário Lagamar: passeios de barco em um dos cinco maiores criadouros de vida marinha do mundo, segundo a Secretaria de Turismo do Estado de São Paulo.
Quem tem curiosidade sobre as cidades históricas de São Paulo, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal ANTES DE PARTIR VIAGENS, que conta com mais de 190 mil visualizações, onde Dani e Léo mostram como é a vida, os casarões coloniais e a cultura de Iguape:
Qual a melhor época para visitar Iguape e o que fazer em cada estação?
O clima do litoral sul paulista é úmido o ano todo, com verão quente e chuvoso e inverno ameno. Cada estação tem seu charme em Iguape, e a escolha depende do tipo de passeio que o visitante busca.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar até a Princesa do Litoral
O acesso principal sai da capital paulista pela BR-116 (Rodovia Régis Bittencourt) até o trevo de Oliveira Barros, entre Miracatu e Juquiá, seguindo pela SP-222 (Rodovia Prefeito Casemiro Teixeira). A distância é de cerca de 200 km, com tempo médio de viagem de três a quatro horas.
Quem vem de Curitiba percorre cerca de 250 km pela mesma BR-116. Há também ônibus diários saindo do Terminal Barra Funda, com travessia de aproximadamente três horas e meia, conforme a Secretaria Municipal de Turismo.
Vá conhecer a princesa do litoral
A cidade reúne quase cinco séculos de história em ruas de pedra, um dos maiores trechos preservados de Mata Atlântica do Brasil e uma cultura caiçara viva nos pratos e nas festas. Pouca gente fora de São Paulo sabe que ali nasceu a primeira casa de fundição de ouro do país.
Você precisa visitar Iguape e atravessar o Mar Pequeno para entender por que esse pedaço esquecido do litoral paulista carrega tanto patrimônio em tão pouco espaço.

