O Bradesco (BBDC4) registrou lucro recorrente de R$ 6,8 bilhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 16,1% em relação ao mesmo período do ano passado.
O desempenho marcou o nono trimestre consecutivo de crescimento do lucro líquido e avanço da rentabilidade do banco. O retorno sobre o patrimônio líquido, o ROE, subiu 1,4 ponto percentual em um ano e chegou a 15,8%. A média da Bloomberg indicava expectativa de 15,2% para o indicador.
A rentabilidade é um dos principais pontos acompanhados pelo mercado no caso dos grandes bancos, porque mostra a capacidade da instituição de gerar lucro em relação ao capital próprio. No caso do Bradesco, a melhora do ROE reforça a percepção de recuperação gradual depois de um período em que o banco ficou pressionado por inadimplência, rentabilidade menor e comparação desfavorável com os pares.
Margem financeira e receitas sustentam resultado
A margem financeira somou R$ 20 bilhões no trimestre, alta de 4,2% em relação ao trimestre anterior e de 16,4% na comparação anual. Já a margem com clientes chegou a R$ 19,4 bilhões, avanço de 2% no trimestre e de 16,3% em um ano.
As receitas totais ficaram em R$ 36,9 bilhões, crescimento de 2,2% na comparação trimestral e de 14% em relação ao mesmo período do ano passado. As receitas de prestação de serviços caíram 6,4% no trimestre, mas cresceram 6,2% em um ano, para R$ 10,3 bilhões.
Para o investidor, esse conjunto mostra que o resultado não dependeu apenas de um fator isolado. O banco apresentou crescimento em linhas relevantes de receita, com destaque para margem financeira, enquanto buscou preservar a qualidade do crédito em um ambiente de juros ainda elevados.
Carteira de crédito chega a R$ 1 trilhão
A carteira de crédito do Bradesco atingiu R$ 1 trilhão no primeiro trimestre, com alta de 0,1% no trimestre e crescimento de 8,4% em um ano. A carteira de pessoas físicas avançou 9,5% na comparação anual, para R$ 474 bilhões.
Ao mesmo tempo, o banco elevou as despesas com provisões para devedores duvidosos, a PDD, para R$ 9,6 bilhões, alta de 26,5% em um ano e de 9,5% no trimestre. O índice de inadimplência acima de 90 dias subiu 0,1 ponto percentual no trimestre, para 4,2%, mas ficou abaixo dos 4,3% registrados um ano antes.
Essa combinação indica crescimento da carteira, mas com postura mais cautelosa na cobertura de risco. Para bancos, a leitura do mercado passa pela capacidade de expandir crédito sem deteriorar de forma relevante a inadimplência e sem pressionar demais as provisões.
Na avaliação de Marco Saravalle, estrategista-chefe da MSX e da Krivo, o Bradesco entregou um resultado sólido no primeiro trimestre de 2026, acima das estimativas de mercado, impulsionado principalmente pelo desempenho da operação de seguros e pela melhora da posição de capital após a transação envolvendo Bradseg e Bradsaúde. “A operação de seguros segue mostrando elevada resiliência e se consolidando como um importante diferencial competitivo dentro do case”, analisa Saravalle, em relatório aos clientes.
Pra ele, o destaque positivo do trimestre foi a expansão dos índices de capital, com ganho de aproximadamente 250 pontos-base:
Provisões refletem cautela com o cenário macro
Apesar da leitura positiva, Saravalle destaca que o trimestre também foi marcado por uma postura mais conservadora do banco em relação ao ambiente macroeconômico. O custo do risco subiu levemente no período, pressionando as provisões para perdas esperadas com crédito, especialmente no segmento corporate. Um caso específico no segmento corporate elevou as provisões no atacado em cerca de R$ 600 milhões. Ainda assim, a decisão do banco de antecipar parte dos riscos reduz a possibilidade de surpresas negativas futuras e reforça a qualidade do balanço.
O que o resultado indica para o investidor
O balanço do Bradesco no 1T26 mostra avanço de lucro, recuperação de rentabilidade e crescimento das principais linhas de receita. Ao mesmo tempo, a elevação das provisões indica uma postura mais cautelosa diante de um ambiente macroeconômico ainda desafiador.
Na avaliação da MSX o Bradesco segue como “um dos cases mais interessantes entre os grandes bancos brasileiros neste momento, já que a tese combina recuperação operacional, forte geração de receitas e a robustez da operação de seguros, que segue como margem de segurança para os resultados futuros”.














