A pressão sobre recursos naturais e o aumento do custo de vida começam a transformar a forma como os brasileiros lidam com tarefas domésticas básicas. No centro dessa mudança está a lavagem de roupas, atividade que pode consumir mais de 20 mil litros de água por ano em uma única residência, além de gerar despesas recorrentes com energia, manutenção e equipamentos. Em um cenário de maior preocupação com eficiência e sustentabilidade, modelos coletivos de lavanderia passam a ganhar espaço ao combinar redução de custos, menor consumo hídrico e ganho operacional em escala urbana. Se 1 milhão de residências migrassem para sistemas compartilhados mais eficientes, a economia anual de água poderia ultrapassar 140 bilhões de litros, enquanto a redução potencial de gastos poderia se aproximar de R$ 1 bilhão por ano.
O avanço desse modelo acompanha uma mudança mais ampla no comportamento de consumo e na lógica de uso de serviços urbanos. Em países como Estados Unidos e Japão, mais de 60% da população já utiliza lavanderias compartilhadas, enquanto no Brasil esse índice ainda gira em torno de 4%, indicando um mercado com amplo potencial de expansão. As operações self-service utilizam cerca de 56 litros por ciclo, contra até 196 litros em modelos domésticos tradicionais, o que representa redução de até 70% no consumo de água.
“O modelo doméstico foi criado em um momento em que recursos como água e energia eram tratados como abundantes. Hoje, quando analisamos o consumo em escala urbana, fica evidente que soluções compartilhadas são mais eficientes e passam a ter um papel estrutural nas cidades”, afirma Isaelson Oliveira, CEO do Grupo Hi.
Além do impacto hídrico, o setor também se beneficia de mudanças na dinâmica das cidades. O crescimento de imóveis compactos, a valorização do tempo e a busca por serviços sob demanda ampliam o espaço para modelos baseados em acesso, e não em posse. Uma família pode gastar até 5 horas por semana com lavagem doméstica, o equivalente a mais de 10 dias por ano dedicados à atividade. Em estruturas compartilhadas, o processo ocorre de forma integrada e automatizada, reduzindo etapas operacionais e aumentando a eficiência do consumo.
O tema também se conecta a uma agenda ambiental mais ampla. Cada ciclo de lavagem doméstica pode liberar milhares de microplásticos na água, ampliando o impacto ambiental da atividade. Nesse contexto, operações baseadas em eficiência energética, reaproveitamento e redução de desperdício passam a ser observadas não apenas como conveniência, mas como parte da infraestrutura urbana sustentável.
A Lavanderia 60 Minutos, principal operação do Grupo Hi, amplia sua presença nacional apoiada nesse movimento. A rede se aproxima de 1.000 unidades e mais de 2,5 milhões de clientes atendidos, consolidando uma estratégia baseada em autoatendimento, tecnologia e eficiência operacional. “A forma como consumimos recursos dentro de casa começa a ter impacto direto na sustentabilidade das cidades”, afirma Isaelson.
“A lavanderia deixa de ser um equipamento dentro de casa e passa a ser um serviço integrado à dinâmica urbana. O que estamos vendo é uma mudança estrutural no consumo, impulsionada pela necessidade de usar melhor os recursos disponíveis”, conclui.














