Em 2026, a trajetória de Vladimir Putin no centro do poder russo completa 26 anos. A contagem parte de 31 de dezembro de 1999, quando Boris Yeltsin renunciou e Putin assumiu como presidente interino da Rússia. A primeira posse formal ocorreu em 7 de maio de 2000, após a vitória na eleição presidencial daquele ano.
Desde então, Putin se tornou a principal figura política da Rússia contemporânea. Ele foi presidente entre 2000 e 2008, primeiro-ministro entre 2008 e 2012, e voltou ao Kremlin em 2012. Por isso, o recorte mais preciso é falar em “26 anos da era Putin”, já que ele não ocupou a presidência durante todo o período, mas permaneceu no centro da estrutura de poder russa.
Putin: Da eleição de 2000 ao quinto mandato
A primeira eleição presidencial de Putin ocorreu em março de 2000. Naquele pleito, ele venceu no primeiro turno, com quase 53% dos votos, segundo relatório da Comissão de Helsinque dos Estados Unidos. O resultado consolidou sua chegada ao Kremlin em um momento de transição política após os anos de Boris Yeltsin.
Mais de duas décadas depois, Putin venceu a eleição presidencial de 2024 com 87,97% dos votos, segundo resultados oficiais preliminares citados pela Reuters.
A votação deu início ao seu quinto mandato presidencial e reforçou a concentração de poder em torno de sua liderança.
A reforma que abriu caminho até 2036
Um dos pontos centrais da trajetória política de Putin foi a reforma constitucional aprovada na Rússia. Em 2021, ele assinou uma lei que permitiu disputar mais dois mandatos presidenciais. A mudança zerou a contagem dos mandatos anteriores e abriu caminho para que Putin permaneça no Kremlin até 2036, caso dispute e vença novas eleições.
Antes disso, a Rússia já havia ampliado o mandato presidencial de quatro para seis anos, mudança aprovada em 2008. Putin retornou à presidência em 2012 já sob esse novo modelo, o que aumentou a duração de cada ciclo presidencial.
Energia como pilar econômico e geopolítico
A Rússia de Putin manteve petróleo, gás e commodities como pilares de sua economia e de sua influência externa. Segundo a EIA, em 2024, países da Ásia e Oceania receberam 63% das exportações russas de petróleo bruto, 85% das exportações de carvão, 30% das exportações de gás natural e 36% das exportações de derivados de petróleo.
Esse redirecionamento ganhou força após a guerra na Ucrânia e as sanções impostas por países ocidentais. A redução da dependência europeia de energia russa levou Moscou a ampliar a importância de mercados como China e Índia em sua estratégia comercial.
Guerra na Ucrânia e sanções
A anexação da Crimeia em 2014 marcou uma ruptura importante entre Rússia e Ocidente. O cenário se agravou em fevereiro de 2022, com a invasão em larga escala da Ucrânia. Desde então, a União Europeia passou a adotar sucessivos pacotes de sanções contra a Rússia, atingindo bancos, energia, tecnologia, transporte, comércio e indivíduos ligados ao governo russo.
A guerra também ampliou o peso do risco geopolítico para investidores. Energia, commodities, inflação global, cadeias de suprimento e gastos militares passaram a ser monitorados com mais atenção diante do prolongamento do conflito.
Economia resiste, mas enfrenta pressão
Apesar das sanções, a economia russa mostrou resiliência nos anos seguintes à guerra. Segundo o Banco Mundial, o PIB da Rússia foi de US$ 2,17 trilhões em 2024, com crescimento de 4,3% no ano e PIB per capita de US$ 14.889.
O cenário, porém, passou a mostrar sinais de desaceleração. Em abril de 2026, a Reuters informou que a economia russa registrou contração de 0,3% no primeiro trimestre de 2026, a primeira queda trimestral em três anos, em meio a sanções, juros elevados e efeitos da guerra.
Controle interno e pressão sobre a oposição
A era Putin também é marcada por maior controle político interno. A Freedom House classifica a Rússia como “Not Free”, com pontuação de 12 em 100 no relatório de 2025, citando restrições a direitos políticos e liberdades civis.
A liberdade de imprensa também se deteriorou. A organização Repórteres Sem Fronteiras informou que a Rússia ocupava a 171ª posição entre 180 países no ranking de liberdade de imprensa de 2025, seu pior desempenho no índice, em meio à repressão a jornalistas e veículos independentes.
Mandado do Tribunal Penal Internacional
Em março de 2023, o Tribunal Penal Internacional emitiu mandados de prisão contra Vladimir Putin e Maria Lvova-Belova, comissária russa para os direitos das crianças, no contexto da guerra na Ucrânia. A decisão aumentou o isolamento jurídico e diplomático de Putin em países que reconhecem a jurisdição do tribunal.
A Rússia rejeita a autoridade do TPI, mas a medida teve impacto internacional. Em 2024, por exemplo, a Ucrânia chegou a pedir que o Brasil prendesse Putin caso ele participasse presencialmente da reunião do G20, já que o país é signatário do Estatuto de Roma.
Por que a trajetória de Putin importa para o mercado?
A trajetória de Putin importa para investidores porque a Rússia segue relevante em energia, commodities, segurança global e risco geopolítico. Decisões do Kremlin podem afetar petróleo, gás, inflação, cadeias produtivas, sanções, comércio internacional e a relação entre grandes potências.
Após 26 anos no centro do poder, Putin consolidou uma trajetória política baseada em centralização interna, uso estratégico de recursos naturais e confronto com o Ocidente. Para o mercado financeiro, a Rússia permanece como um fator de risco global, especialmente enquanto a guerra na Ucrânia e as sanções continuarem no radar.














