O dólar voltou a perder força frente ao real nesta terça-feira, 05 de maio de 2026, e passou a negociar na região de R$ 4,90. Segundo as cotações do dia, a moeda americana era negociada a R$ 4,9057, em queda de 1,21%, ou R$ 0,0601, em relação ao fechamento anterior.
O movimento reforça a valorização recente da moeda brasileira em um ambiente marcado por diferencial de juros ainda elevado, maior atenção aos mercados emergentes e percepção mais favorável em relação à matriz energética do Brasil.
Na mesma tela de cotações, o euro também recuava frente ao real, negociado a R$ 5,767, em queda de 1,10%. Já o euro avançava levemente contra o dólar, a US$ 1,1702, alta de 0,09%.
Para Bruno Yamashita, coordenador de Alocação e Inteligência da Avenue, os fatores que têm favorecido são o diferencial de juros, a posição do Brasil dentro dos mercados emergentes e a matriz energética brasileira. Mesmo em um cenário de pressão sobre o preço do petróleo, o país tem uma composição energética considerada mais favorável em comparação a economias mais dependentes de energia importada, como ocorre em parte da Europa. “Por mais que eventualmente o combustível possa encarecer, o resto da matriz energética brasileira acaba sendo favorável”, afirma Yamashita.
Esse fator ganha peso em um momento em que investidores globais acompanham os efeitos do petróleo sobre inflação, atividade econômica e política monetária.
Diferencial de juros segue favorecendo o real
Outro ponto citado pelo especialista é o diferencial de juros. Com a taxa de juros brasileira ainda em patamar elevado, o real segue sendo beneficiado pelo retorno oferecido aos investidores em ativos locais.
Yamashita destacou que “o próprio diferencial de juros no Brasil também está ajudando bastante”. Esse fator contribui para atrair fluxo financeiro, especialmente em momentos em que investidores buscam retorno em mercados emergentes.
Ainda assim, o movimento do câmbio não deve ser analisado apenas no curto prazo. Para o especialista, a queda recente do dólar precisa ser vista dentro de uma estratégia mais ampla de proteção patrimonial e diversificação.
Queda do dólar não elimina importância da diversificação
Apesar da valorização do real, Yamashita reforça que investidores não devem tentar acertar o melhor momento para comprar dólar. Segundo ele, a análise precisa considerar horizonte de longo prazo, custo de oportunidade e composição da carteira.
O especialista lembra que, em 12 meses, o real acumulou valorização superior a 10% frente ao dólar. No entanto, ativos negociados em moeda americana também tiveram desempenho relevante no mesmo período, como o S&P 500, que subiu cerca de 30%: “É sempre importante a gente trazer e lembrar que a gente gosta de enfatizar, é sempre pensar no horizonte a longo prazo, nos custos de oportunidade e na diversificação da carteira”.
O que esperar do câmbio em maio?
Para maio, o cenário do câmbio deve seguir dependente da combinação entre juros, petróleo, fluxo para emergentes e percepção de risco. No curto prazo, o real tem sido favorecido por fatores domésticos e externos, o que levou o dólar novamente à casa de R$ 4,90.
As projeções do Boletim Focus também indicam uma trégua nas expectativas para o câmbio. Na edição divulgada pelo Banco Central em maio, a mediana das estimativas para o dólar no fim de 2026 ficou em R$ 5,25, estável após semanas de revisão para baixo. Um mês antes, a projeção estava em R$ 5,40, segundo levantamento do Focus. Para o fim de 2027, a expectativa recuou para R$ 5,30.














