A BradSaúde (SAUD3), nova companhia de saúde do grupo Bradesco, estreou na B3 em uma fase marcada por resultados robustos e pela expectativa de captura de sinergias entre diferentes frentes de negócios. Por volta das 13h, as ações subiam aproximadamente 5%. Os papéis começaram o dia cotados a R$ 15,43 e chegaram a valer R$ 16,07 durante a manhã.
O ticker SAUD3 passa a representar a nova companhia na bolsa, substituindo o código anteriormente associado à Odontoprev, após a reorganização dos ativos de saúde do grupo. A empresa chega ao mercado reunindo ativos como Odontoprev, Bradesco Saúde e Atlântica Hospitais, em uma estrutura voltada à integração de produtos, canais de distribuição e jornada do cliente.
Em coletiva de imprensa, o CEO da BradSaúde, Carlos Marinelli, indicou que a nova etapa da companhia será orientada por três pilares: crescimento, aumento de rentabilidade e desenvolvimento de novos produtos. “Crescimento, grande rentabilidade e criação de novos produtos são importantes pra gente”, afirmou o executivo, ao ser questionado sobre os próximos passos da companhia após a abertura de capital.
A estreia ocorre após a companhia reportar lucro de R$ 1,3 bilhão e rentabilidade sobre patrimônio líquido, ROE, de 24,8% no primeiro trimestre. A Bradesco Saúde, principal operação do grupo, respondeu por 83% do lucro consolidado e registrou avanço de 33,5% no lucro líquido, para R$ 1,2 bilhão no período.
Integração deve ser chave para destravar valor
A integração entre as diferentes operações é vista pela administração como uma peça central para a criação de novos produtos e para a ampliação das avenidas de crescimento. Segundo a reportagem, Marinelli afirmou na coletiva que a estratégia envolve crescimento, expansão de rentabilidade e desenvolvimento de produtos mais integrados dentro do ecossistema da companhia.
A lógica é conectar planos de saúde, odontologia, hospitais, canais de distribuição e relacionamento com clientes em uma estrutura mais coordenada. A Atlântica Hospitais, joint venture com a Rede D’Or, aparece como um dos ativos com potencial de ganho de relevância dentro da nova configuração, embora ainda represente cerca de 1% do lucro consolidado.
Sinistralidade fica no centro da estratégia
Além da expansão, a rentabilidade será um dos principais pontos de atenção da BradSaúde. Marinelli destacou, em coletiva de imprensa, que a melhora dos resultados passa por uma gestão mais eficiente da sinistralidade, indicador que mede a relação entre custos assistenciais e receitas.
“A gente tem que olhar, por exemplo, para a sinistralidade, seja através de uma melhor relação com os prestadores, seja de uma utilização mais consciente e sustentável dos produtos”, afirmou o CEO.
No primeiro trimestre, a companhia reportou sinistralidade de 79% no segmento de saúde. Segundo a reportagem, o número teve influência de fatores sazonais, como menor utilização de serviços no início do ano, além de ajustes relacionados a sinistros não reportados no fim do ano anterior. Marinelli afirmou que a empresa vê a sinistralidade com cautela em 2026, diante da aceleração de frequência e custos médios por visita observada no segundo semestre de 2025.
PMEs entram no radar de crescimento
Outro eixo da estratégia está no segmento de pequenas e médias empresas. Os planos empresariais já somam mais de 3 milhões de vidas na Bradesco Saúde, e a companhia espera avançar nessa frente com produtos mais acessíveis, distribuição por corretores e presença nacional.














