Em entrevista exclusiva ao programa Closing, da BM&C News, a diretora de Relações com Investidores da Motiva, Flávia Godoy, detalhou os resultados do primeiro trimestre da companhia, destacando a combinação entre crescimento operacional, disciplina de custos e expansão do portfólio como principais vetores do desempenho.
Ao longo da conversa — que contou com a participação de diferentes apresentadores e analistas do programa —, Flávia foi a principal interlocutora responsável por comentar os números e a estratégia da empresa.
Desempenho operacional e expansão de margens
Segundo a executiva, o resultado do trimestre reflete a continuidade da estratégia implementada desde 2023, com 2025 marcando um ponto de inflexão para a companhia.
“É um trimestre que teve uma combinação de desempenho operacional, olhando para a nossa plataforma de rodovias […], com crescimento de volume de 2,6% para cada modal”, afirmou.
Além do avanço no tráfego, a companhia também registrou ganhos relevantes de eficiência, com expansão de margem de 2,2 pontos percentuais e redução de custos operacionais. O indicador de OPEX caixa sobre receita líquida apresentou queda de 3 pontos percentuais no período.
A receita líquida avançou 5,7% no trimestre, impulsionada tanto pelo aumento de volume quanto pelo reajuste tarifário. Flávia destacou ainda a resiliência do portfólio, sustentada pela diversificação do tráfego entre diferentes setores da economia.
“Hoje a gente tem um portfólio bastante diversificado, com 55% concentrado em eixo comercial e 45% em veículos leves”, explicou.
EBITDA cresce com novos ativos e disciplina de custos
Questionada sobre a expansão do EBITDA — que cresceu cerca de 9,3% no período —, Flávia atribuiu o resultado a uma combinação de controle de custos e incorporação de novos ativos ao portfólio.
A executiva destacou a redução de custos caixa, mesmo em um ambiente inflacionário, além de medidas como corte de despesas com pessoal, otimização de ativos e revisão de contratos.
“Os novos ativos contribuíram com cerca de R$ 200 milhões de EBITDA no trimestre, algo que não tínhamos no ano anterior”, afirmou.
Outro ponto relevante foi o avanço em iniciativas operacionais, como a digitalização dos pedágios e a redução do uso de dinheiro em caixa. Segundo a companhia, a operação caminha para um modelo quase totalmente “cashless”, além de ganhos com eficiência energética, que adicionaram cerca de R$ 17 milhões ao resultado.
Alavancagem controlada e crescimento do portfólio
A Motiva encerrou o trimestre com alavancagem estável em 3,6 vezes dívida líquida/EBITDA, mantendo-se próxima ao patamar do trimestre anterior.
Flávia ressaltou que a companhia segue em fase de expansão, com a adição de quatro novas concessões nos últimos 12 meses, incluindo a recente assinatura do contrato da concessão Minas-SP (Fernão Dias).
“É um portfólio que está em expansão, com ativos premium que devem contribuir ainda mais para a geração de caixa nos próximos períodos”, disse.
Dividendos atrelados à alavancagem
Sobre a remuneração aos acionistas, a diretora explicou que a política de dividendos da companhia está diretamente ligada ao nível de alavancagem.
De acordo com ela, quando a alavancagem fica acima de 3,5 vezes, o payout segue o mínimo legal de 25%. Já abaixo desse nível, a companhia busca distribuir até 50% do lucro.
“A gente quer manter uma alavancagem entre 2,5 e 3,5 vezes e entregar crescimento de EBITDA com remuneração de até 50% ao acionista”, afirmou.
A executiva também destacou que a venda da plataforma aeroportuária, anunciada anteriormente, deve contribuir para a redução da alavancagem, com entrada estimada de cerca de R$ 5 bilhões em caixa.
Perspectivas
Para os próximos trimestres, a Motiva espera continuidade no crescimento, com expectativa de expansão do EBITDA em ritmo de “high single digit” e captura gradual dos ganhos dos novos ativos incorporados ao portfólio.
Segundo Flávia Godoy, a estratégia da companhia segue focada em previsibilidade, eficiência e geração de valor no longo prazo, consolidando o ciclo iniciado nos últimos anos.

