Por que os raios cósmicos estão ajudando a desvendar o interior da Grande Pirâmide de Gizé? Um enorme espaço vazio, lacrado desde o reinado do faraó Khufu, acaba de ser confirmado por três equipes internacionais de físicos. A descoberta, publicada na revista Nature, revela uma cavidade de pelo menos 30 metros de comprimento logo acima da Grande Galeria, marcando o primeiro grande achado interno na pirâmide desde o século XIX.
Como os raios cósmicos conseguiram enxergar dentro da pirâmide?
Os cientistas usaram partículas chamadas múons, que nascem quando raios cósmicos do espaço se chocam com átomos da atmosfera terrestre. Esses múons atravessam rochas densas em um ritmo previsível, então qualquer excesso de partículas indica um espaço vazio.
O projeto ScanPyramids, liderado pela Universidade do Cairo e pelo Instituto HIP da França, instalou detectores dentro e fora da pirâmide. Em vez de perfurar a estrutura, os pesquisadores simplesmente contaram múons por meses e mapearam as áreas ocas.

O que é exatamente o “Big Void” encontrado na Grande Pirâmide?
O Big Void é uma cavidade com seção transversal semelhante à da Grande Galeria, com cerca de 8 metros de altura e 2 metros de largura. Localizado aproximadamente 20 metros acima da base da pirâmide, ele se estende por no mínimo 40 metros de comprimento.
Varreduras posteriores ajustaram a estimativa inicial de 30 para 40 metros, reforçando a ideia de que o vazio é um espaço contínuo único, e não um aglomerado de fendas menores. Estudos publicados na revista Nature mostram que três equipes independentes confirmaram a mesma cavidade.
Qual tecnologia permitiu essa descoberta sem invadir a estrutura?
A técnica de radiografia de múons funciona como um raio‑X cósmico. Três tipos diferentes de detectores foram usados para garantir a precisão do achado. Confira quais foram:
- Filmes de emulsão nuclear instalados na Câmara da Rainha pela Universidade de Nagoya
- Hodoscópios cintiladores posicionados no mesmo local pela KEK do Japão
- Telescópios detectores de gás montados na face norte externa da pirâmide pelo CEA da França
Quais são as teorias sobre a função desse espaço oculto?
Ninguém sabe ao certo para que o Big Void foi construído. A arquiteta Kate Spence, da Universidade de Cambridge, sugere que o espaço pode ter sido uma rampa de construção interna, usada para içar as enormes vigas de granito do teto da Câmara do Rei.
Outra hipótese, levantada pela egiptóloga Salima Ikram da Universidade Americana do Cairo, é que o vazio possa ser uma câmara funerária oculta do faraó Khufu. Como a múmia do faraó jamais foi encontrada, essa possibilidade alimenta o debate entre especialistas.

O que esperar das próximas investigações na Pirâmide de Gizé?
O projeto ScanPyramids continua ativo e novas varreduras estão previstas para os próximos meses. Equipes internacionais preparam detectores ainda mais sensíveis para tentar mapear o interior do Big Void sem qualquer intervenção física.
A arqueologia moderna caminha para uma era em que partículas subatômicas ajudam a desvendar monumentos milenares. Enquanto robôs e câmeras não alcançam certas áreas, os raios cósmicos seguem como os melhores mensageiros do passado.
