Antes de qualquer outra cidade brasileira existir como capital, Salvador já recebia ordens diretas de Lisboa. Fundada em 1549 por Tomé de Sousa, a capital baiana guarda no seu Centro Histórico um conjunto barroco com cerca de 800 kg de ouro e divide moradores e visitantes entre a Cidade Alta e a Cidade Baixa pelo primeiro elevador urbano do mundo.
Por que Salvador foi a primeira capital do Brasil?
Salvador foi a primeira capital do Brasil porque D. João III escolheu um ponto equidistante das extremidades do território para centralizar a administração da colônia. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) registra que o local foi pensado como cidade-fortaleza, com a Cidade Alta cumprindo funções administrativas e residenciais e a Cidade Baixa concentrando porto e comércio.
A comitiva chegou em 29 de março de 1549, com cerca de mil colonos e 600 soldados, segundo a Secretaria de Comunicação de Salvador. A cidade nasceu já como capital, sem ter sido vila ou província. Foi sede do governo brasileiro até 1763, quando o título passou para o Rio de Janeiro.

Reconhecimentos da UNESCO e rankings internacionais
Salvador acumula títulos que vão além do turismo nacional. O Centro Histórico é Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO desde 1985 e reúne o maior conjunto arquitetônico colonial preservado da América Latina, com cerca de três mil edifícios dos séculos XVIII, XIX e XX, segundo o IPHAN.
Em 2015, a capital baiana entrou para a Rede de Cidades Criativas da UNESCO, na categoria Música, sendo a única brasileira nessa lista, conforme registro da ONU Brasil. No turismo de eventos, a cidade lidera o Nordeste no ranking da International Congress and Convention Association (ICCA), à frente de Maceió, Natal, Fortaleza e Recife. Em 2025, foi anunciada como uma das sedes da Copa do Mundo Feminina da FIFA 2027.

O Carnaval que entrou duas vezes para o Guinness
O Carnaval de Salvador é considerado a maior festa de rua do planeta e tem dois títulos recentes do Guinness World Records. Em 2025, a festa foi reconhecida como o maior Carnaval de rua sobre trios elétricos do mundo, com 229 atrações musicais em uma única tarde de cinco horas, segundo a cobertura oficial da premiação.
Em 2026, a cidade voltou ao livro dos recordes por outro motivo: a maior coleta de latas de alumínio em uma semana de festa de rua. Foram 46 toneladas recolhidas em apenas quatro dias, volume cinco vezes maior que o recorde anterior. A operação envolveu cooperativas locais e gerou cerca de R$ 1,4 milhão em renda para os catadores, conforme detalhes divulgados pela Prefeitura de Salvador.
O que fazer em Salvador entre praias e patrimônio?
Salvador tem cerca de 50 km de orla no continente e mais 60 km contando as ilhas que pertencem ao município. Cinco praias soteropolitanas aparecem entre as melhores do Brasil em ranking do Centro Internacional de Formação em Gestão e Certificação de Praias (CIFPLAYAS), segundo a Agência de Notícias da Prefeitura.
Entre os passeios obrigatórios, o roteiro alterna patrimônio colonial e contato com o mar:
- Pelourinho: coração do Centro Histórico, com casarões coloridos, ladeiras de paralelepípedo e ensaios de Olodum. Tombado pela UNESCO em 1985.
- Elevador Lacerda: primeiro elevador urbano do mundo, inaugurado em 1873, com 72 metros e vista para a Baía de Todos os Santos.
- Igreja e Convento de São Francisco: cerca de 800 kg de ouro no interior e 30 mil azulejos portugueses, uma das Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo.
- Farol da Barra: cartão-postal soteropolitano, instalado no Forte de Santo Antônio, de 1536, com Museu Náutico anexo e o pôr do sol mais famoso da cidade.
- Praia do Porto da Barra: águas calmas entre dois fortes coloniais, considerada uma das melhores praias urbanas do mundo.
- Praia de Itapuã: imortalizada por Vinicius de Moraes e Toquinho, com farol, coqueiros e piscinas naturais entre as pedras.
A gastronomia é parte essencial da experiência soteropolitana e carrega a herança africana em cada panela:
- Acarajé: bolinho de feijão-fradinho frito no dendê, recheado com vatapá, caruru e camarão. Patrimônio Imaterial do Brasil desde 2005.
- Moqueca baiana: peixe ou frutos do mar cozidos em panela de barro com leite de coco, dendê e pimenta-de-cheiro.
- Vatapá: creme à base de pão, camarão seco, leite de coco e dendê, herança direta da diáspora africana.
- Caruru: prato à base de quiabo, camarão e dendê, oferecido em festas de Cosme e Damião.
- Cocada baiana: doce de coco em versão branca ou preta, vendido nos tabuleiros do Pelourinho e da orla.
Quem busca um roteiro atualizado de 5 dias em Salvador (BA), vai curtir esse vídeo com dicas do que fazer na cidade:
Qual a melhor época para visitar Salvador?
Salvador tem clima tropical úmido e temperaturas elevadas o ano inteiro, com pouca variação entre as estações. O período de menor chuva vai de setembro a fevereiro, quando o sol predomina e a cidade vive sua alta temporada turística. Veja como cada época se comporta:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
O Carnaval acontece entre fevereiro e início de março, com seis dias de festa em sete circuitos espalhados pela cidade. Para quem prefere clima mais ameno, junho traz as festas juninas e arraiais espalhados por bairros como Pelourinho e Pituaçu. Setembro a novembro reúne sol firme, mar calmo e baixa temporada nos hotéis.
Conheça a cidade onde o Brasil começou
A capital baiana guarda em poucos quilômetros quadrados o que muitas cidades levaram séculos para reunir: barroco luxuoso, herança africana viva, praias urbanas premiadas e uma festa que entra no Guinness. Andar pelo Pelourinho é caminhar sobre as pedras que viram o Brasil nascer.
Você precisa conhecer Salvador e sentir por que essa cidade de 477 anos continua sendo a primeira referência cultural do país.

