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Albert Einstein, físico alemão: “O homem pode fazer o que quer, mas não pode querer o que quer”

Laila Por Laila
21/04/2026
Em Curiosidades

Todo mundo já viu uma daquelas frases sobre força de vontade atribuídas a Albert Einstein. O problema é que Einstein não acreditava em força de vontade, e disse isso com todas as letras, em discurso gravado, mais de uma vez ao longo de toda a vida.

O que Einstein disse sobre a vontade humana

Em setembro de 1932, em Caputh, na Alemanha, Albert Einstein gravou um discurso para benefício da Liga dos Direitos Humanos. O texto ficou conhecido como Mein Glaubensbekenntnis (“Meu Credo”) e contém uma das declarações mais diretas que ele já fez sobre o assunto: “Ich glaube nicht an die Freiheit des Willens”, em tradução livre: “Não acredito na liberdade da vontade.”

O manuscrito original está custodiado nos Albert Einstein Archives da Universidade Hebraica de Jerusalém. Não é uma citação apócrifa nem uma atribuição duvidosa. É um documento com data e contexto verificáveis.

Em setembro de 1932, em Caputh, na Alemanha, Albert Einstein gravou um discurso para benefício da Liga dos Direitos Humanos

Leia também: Albert Einstein, físico alemão: “Procure não se tornar um homem de sucesso, mas sim um homem de valor”

A frase de Schopenhauer que Einstein adotou como princípio de vida

Para fundamentar essa visão, Einstein recorreu ao filósofo alemão Arthur Schopenhauer, cuja frase adotou explicitamente como princípio pessoal. No mesmo discurso de 1932, citou-o diretamente: “Der Mensch kann wohl tun, was er will, aber er kann nicht wollen, was er will”, em tradução livre: “O homem pode fazer o que quer, mas não pode querer o que quer.”

A ideia é poderosa em sua simplicidade: somos livres para agir segundo nossos desejos, mas os próprios desejos não são escolhas conscientes. Eles emergem de forças que nos precedem: a biologia, a história, o ambiente e o acaso.

Por que Einstein rejeitava o livre-arbítrio?

A visão de Einstein não era um pessimismo passageiro. Era uma convicção estruturada, consistente com sua concepção de um universo governado por leis determinísticas. Para ele, a ilusão de que escolhemos livremente o que queremos era exatamente isso: uma ilusão.

Essa posição tem raízes na física, na filosofia e na observação da experiência humana. A tabela abaixo confronta essa visão com a perspectiva popular que circula em frases motivacionais:

AspectoVisão de EinsteinPerspectiva motivacional popular
Origem dos desejosBiologia, ambiente e acasoEscolha e força de vontade individual
Livre-arbítrioNão existeÉ a base do sucesso pessoal
Mérito individualConsequência, não escolhaResultado direto do esforço
Julgamento moral do outroPerde sentido no determinismoQuem falha não se esforçou o suficiente

Como o determinismo tornava o físico mais compassivo e tolerante

Adotar essa visão não tornava Einstein passivo ou ressentido. No próprio My Credo, ele explicou o efeito prático dessa convicção: “Essa consciência da falta de livre-arbítrio me impede de levar a mim mesmo e aos meus semelhantes muito a sério como indivíduos que agem e tomam decisões, e de perder a paciência.”

Se ninguém escolhe verdadeiramente seu ponto de partida, o julgamento moral severo sobre o outro perde sentido. Essa lógica tinha consequências diretas na forma como Einstein enxergava o mundo:

  • Maior tolerância em relação aos erros alheios
  • Rejeição ao culto de personalidade, inclusive ao próprio
  • Comprometimento com o pacifismo e a não-violência
  • Senso aguçado de justiça social, especialmente em relação a minorias perseguidas
  • Humildade em relação à própria genialidade, vista como consequência, não como mérito

A ligação entre Einstein e Schopenhauer vai além da filosofia. O físico mantinha retratos do filósofo em seu escritório e consultava sua obra com frequência. O canal Universo da Psicologia, com mais de 182 mil inscritos, explora em detalhe como esse diálogo entre os dois pensadores moldou a visão de mundo de Einstein:

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O que os arquivos históricos guardam sobre essa convicção

A trajetória intelectual de Albert Einstein mostra que a rejeição ao livre-arbítrio não foi uma posição isolada. Ela aparece recorrentemente em cartas, ensaios e discursos ao longo de décadas, sempre conectada à mesma visão determinista do universo que orientava seu trabalho científico.

A posição era consistente o suficiente para ser documentada, arquivada e verificada. Não é especulação sobre o que Einstein provavelmente pensava. É o registro direto do que ele declarou, em suas próprias palavras.

O que isso revela sobre as frases motivacionais no nome de Einstein

A posição determinista de Einstein era recorrente em toda a sua obra, tornando especialmente problemática a atribuição a ele de frases que exaltam a vontade individual como força suprema. A ironia é que Einstein provavelmente seria o primeiro a questionar a premissa dessas citações.

Para ele, até a própria genialidade não era mérito. Era consequência. E reconhecer isso, longe de ser uma derrota, era o começo de uma forma mais honesta e mais compassiva de estar no mundo.

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