A descoberta do oxigênio negro nas profundezas do Oceano Pacífico abalou a biologia moderna ao revelar que a vida pode não depender exclusivamente do Sol. Em um ambiente de escuridão total, nódulos metálicos produzem oxigênio sem luz solar, e isso muda tudo.
Como o oxigênio negro é produzido sem luz solar?
O canal Biologia com Prof. Cabelo, com 14,3 mil inscritos, apresenta a descoberta feita por pesquisadores da Associação Escocesa de Ciência Marinha (SAMS), que identificaram nódulos polimetálicos no fundo do mar funcionando como “geobaterias” naturais. Essas rochas geram pequenas voltagens elétricas que realizam a eletrólise, separando moléculas de água em hidrogênio e oxigênio continuamente.
O fenômeno ocorre a mais de 4.000 metros de profundidade, onde a luz jamais alcança, desafiando a ideia de que o oxigênio na Terra vem apenas de organismos vivos. Diferente da fotossíntese tradicional, esse processo é puramente mineral e autônomo.
Onde essa fábrica de oxigênio foi localizada?
O estudo, publicado na revista Nature Geoscience, focou na Zona Clarion-Clipperton, uma vasta planície abissal entre o Havaí e o México. Esse local é rico em minerais preciosos que atraem mineradoras, mas que agora se provaram vitais para criaturas das profundezas.
Confira as características fundamentais desses nódulos minerais:
- Contêm cobalto, níquel e manganês, metais essenciais para a condução de cargas elétricas no leito oceânico.
- A voltagem medida em cada rocha chega a quase 1,5 volts, suficiente para quebrar a molécula de água e liberar oxigênio.
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Quais as consequências para a teoria da origem da vida?
Essa revelação sugere que o oxigênio aeróbico pode ter existido na Terra muito antes das primeiras plantas e cianobactérias. Se esse processo ocorre sem luz, a vida pode ter começado em locais muito mais exóticos do que imaginávamos anteriormente.
Isso redireciona a busca por vida extraterrestre em luas geladas de Júpiter e Saturno, onde oceanos subterrâneos escuros poderiam conter oxigênio de origem mineral. A ciência precisa reavaliar o cronograma evolutivo considerando que a respiração pode ter precedido a fotossíntese.

Por que a mineração submarina se tornou um risco maior agora?
A descoberta coloca empresas de mineração em águas profundas sob novo escrutínio ambiental. Remover esses nódulos para fabricar baterias de carros elétricos poderia, ironicamente, sufocar o ecossistema marinho que depende dessa eletricidade natural para respirar.

O que o futuro reserva para essa descoberta?
O próximo passo dos cientistas é mapear quão comum é essa produção de oxigênio em outras partes do assoalho oceânico global. Compreender a escala total do fenômeno ajudará a entender melhor o ciclo de carbono e como os oceanos regulam a atmosfera terrestre.
O estudo liderado pelo professor Andrew Sweetman abre uma nova era na oceanografia, onde geologia e biologia se fundem de forma inesperada. O oxigênio negro deixa de ser anomalia para se tornar pilar central na compreensão de como mundos escuros podem abrigar vida complexa.

