Em 30 de junho de 2024, a China inaugurou uma travessia marítima de 24 quilômetros no estuário do Rio das Pérolas que inclui pontes, ilhas artificiais e um túnel submerso de oito faixas. O Complexo Shenzhen–Zhongshan reuniu mais de 10.000 trabalhadores ao longo de sete anos e acumula pelo menos dez recordes mundiais certificados.
O que é o Complexo Shenzhen–Zhongshan e qual é o papel do túnel na travessia?
Antes da inauguração, a travessia entre Shenzhen e Zhongshan durava até duas horas. Com o complexo, o tempo caiu para cerca de 30 minutos. O investimento total foi de aproximadamente 44,69 bilhões de yuans (cerca de US$ 6,2 bilhões).
Segundo a Wikipedia, o complexo é um sistema integrado único no mundo, composto por duas pontes, duas ilhas artificiais e um túnel submerso bidirecional de oito faixas. Não existe outra estrutura do mesmo tipo em operação no planeta.

Quais são os recordes mundiais que o túnel e as pontes do complexo quebram?
A obra acumula pelo menos dez recordes mundiais certificados, distribuídos em categorias que vão da escala estrutural à engenharia de materiais. Não há, em nenhuma outra travessia marítima do mundo, uma combinação equivalente de vão, profundidade, largura e volume de concreto resolvida em uma única obra. A tabela abaixo reúne os principais:
| Recorde mundial | Especificação |
|---|---|
| Maior ponte suspensa offshore de viga caixão em aço | Vão principal de 1.666 m, torres de 270 m |
| Maior e mais largo túnel submerso de aço e concreto | 6,8 km de comprimento, 46 m de largura |
| Maior volume de ancoragem de concreto | 344.000 m³ |
| Maior área de asfalto epóxi de mistura a quente | 378.800 m² no deck da ponte |
| Maior altura livre sobre a água | 91 metros, para passagem de navios de carga |
Como o túnel submerso de 6,8 km foi instalado no fundo do estuário?
O túnel é formado por 32 tubos de aço e concreto pré-fabricados em terra, transportados por mar e instalados no fundo do estuário com precisão milimétrica. É o primeiro túnel bidirecional de oito faixas de aço e concreto do mundo, com velocidade máxima de 100 km/h e monitoramento feito por 14 robôs automatizados.
O canal Tecnologia Portuária, com mais de 69 mil inscritos, mostra em detalhes como essa estrutura foi planejada e executada, incluindo o sistema de robôs que operam continuamente no interior do túnel:
Para que servem as duas ilhas artificiais conectadas ao túnel?
As ilhas funcionam como pontos de transição entre a ponte e o túnel. A ilha ocidental, em Zhongshan, foi projetada para imitar a forma do Kunpeng, criatura mitológica chinesa que se transforma de peixe em pássaro, com área equivalente a cerca de 19 campos de futebol e um museu de ciências de mais de 2.000 m², reaberto em dezembro de 2024.
Para entender como as ilhas e o túnel se integram estruturalmente, é útil conhecer as etapas construtivas que tornaram possível a instalação dos tubos no fundo do estuário:
- Fabricação em terra: cada um dos 32 tubos foi construído em instalações terrestres e preparado para o transporte marítimo
- Transporte por mar: os tubos foram rebocados até o ponto exato de instalação no estuário do Rio das Pérolas
- Afundamento controlado: cada seção foi submersa e posicionada com precisão milimétrica no leito do estuário
- Junção final: após o posicionamento de todos os tubos, uma junção final selou a estrutura e garantiu a estanqueidade do túnel

Qual é o impacto do complexo para a Grande Área da Baía?
O complexo foi projetado para comportar uma média de 86.000 veículos por dia, com picos de até 181.000 veículos. Segundo o governo de Shenzhen, nos primeiros dez dias após a inauguração, já haviam passado pela obra mais de 305.000 veículos.
A infraestrutura integra a Grande Área da Baía Guangdong–Hong Kong–Macau e se conecta ao sistema que inclui a Ponte Hong Kong–Zhuhai–Macau, inaugurada em 2018, com o objetivo de criar uma região econômica onde deslocamentos entre cidades ocorram dentro de um círculo de uma hora.
Uma travessia que reorganiza a lógica econômica do Rio das Pérolas
O Complexo Shenzhen–Zhongshan não é apenas a maior travessia marítima da China. É uma demonstração de que obras consideradas inviáveis há uma geração podem ser concluídas com precisão industrial e em prazo definido. Os dez recordes mundiais certificados são o resultado de sete anos de construção contínua com tecnologia desenvolvida especificamente para esse projeto.
O que muda com a inauguração vai além do tempo de deslocamento. A ligação entre Shenzhen e Zhongshan aproxima centros industriais e financeiros que antes operavam em órbitas separadas, integrando definitivamente o estuário do Rio das Pérolas à maior área econômica urbana da China.

