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A capital afundada pela terra e pela água em um único dia e levou mais de 100 anos para ser encontrada

Vitor Por Vitor
12/04/2026
Em Cidades

Em uma noite de inverno do ano 373 antes da era comum, o chão tremeu sob a cidade mais importante da Acaia, no norte do Peloponeso. Templos vieram abaixo, o mar invadiu o que restou e Helike sumiu do mapa. A tragédia chocou o mundo antigo, serviu de inspiração para a lenda da Atlântida e deixou cientistas confusos por mais de cem anos. Quando finalmente encontraram as ruínas, elas não estavam no fundo do mar, mas debaixo de uma plantação de oliveiras.

A cidade que aparecia nos versos de Homero e foi derrubada por Poseidon

Helike nasceu na Idade do Bronze e cresceu até se tornar a sede da Liga Aqueia, uma união de doze cidades da região. Homero já falava da participação dela na Guerra de Troia. Era lá que ficava o grande santuário de Poseidon Heliconiano, o deus dos mares e dos tremores de terra, que recebia peregrinos de toda a Grécia e das colônias gregas da Ásia Menor.

A importância de Helike não vinha só da religião. Localizada a uns 2 quilômetros do Golfo de Corinto, espremida entre dois rios e cercada por terra boa para o plantio, a cidade controlava as rotas de comércio por mar e por terra. Os objetos que o Helike Project encontrou nas escavações mostram que o lugar já era ocupado desde o comecinho da Idade do Bronze, por volta de 3000 a 2200 a.C.

Uma onda gigante engole os templos de Helike durante a noite do desastre (imagem ilustrativa)

A noite em que a terra se abriu e o mar engoliu tudo

Os relatos dos antigos, reunidos por escritores como Estrabão, Pausânias e Diodoro da Sicília, contam uma história de horror. Cinco dias antes da tragédia, todos os bichos teriam fugido da cidade em direção a Cerínea. Na noite do desastre, um terremoto violento fez o solo ceder. Logo depois, uma onda gigante que veio do Golfo de Corinto cobriu o que tinha sobrado. Dez navios de guerra de Esparta que estavam ancorados no porto foram para o fundo.

Mandaram uma equipe de resgate com 2.000 homens, mas não conseguiram achar corpo nenhum. A cidade vizinha, Egiom, acabou ficando com as terras. Mais ou menos 150 anos depois, o filósofo Eratóstenes visitou o lugar e contou que ainda dava para ver uma estátua de bronze de Poseidon dentro d’água, em um “poros“, segurando um cavalo-marinho na mão. A estátua era um perigo para os pescadores que jogavam suas redes por ali.

Capacete espartano submerso sendo coberto pelo lodo marinho (imagem ilustrativa)

A pista que todo mundo entendeu errado por séculos

A palavra grega poros, que Eratóstenes usou, foi entendida durante muito tempo como se ele estivesse falando do Golfo de Corinto. Várias equipes de arqueologia subaquática reviraram o fundo do mar e não acharam quase nada. Parecia que a cidade tinha sido engolida sem deixar vestígios.

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Em 1988, a arqueóloga grega Dora Katsonopoulou, que nasceu na vizinha Egiom, e o astrofísico Steven Soter, do Museu Americano de História Natural, começaram o Helike Project com uma ideia diferente: poros podia significar uma lagoa no meio do continente, e não o mar aberto. Se o tremor tivesse feito o solo virar uma lama mole e afundar em grande escala, a cidade teria descido abaixo do nível do mar. A onda que veio depois teria enchido esse buraco, formando uma lagoa que, com o passar dos séculos, foi sendo entupida pela terra que os rios traziam, até virar chão firme de novo.

As ruínas que apareceram debaixo das oliveiras de Rizomylos

Em 2001, escavações perto do vilarejo de Rizomylos acharam muros e prédios do período clássico enterrados debaixo daquele tipo de terra que se forma em lagoa seca. Em 2012, a equipe encontrou uma camada de destruição cheia de pedras do calçamento, telhas de barro e louças que eram do século IV a.C., uma data que bate certinho com os relatos antigos sobre o terremoto de 373 a.C., como informa o Helike Project.

Junto das ruínas da cidade clássica, os pesquisadores acharam um povoado inteiro do começo da Idade do Bronze (de cerca de 2400 a.C.), com prédios bem retos e ruas de pedra muito bem conservadas. Essa descoberta mostrou que o mesmo tipo de desastre já tinha acontecido no mesmo lugar dois mil anos antes. Em 2004 e 2006, o World Monuments Fund colocou Helike na lista dos 100 lugares históricos mais ameaçados do mundo.

Escavação arqueológica revela ruas antigas sob um olival na Grécia (imagem ilustrativa)

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Um ciclo de destruição e reconstrução que sempre se repetiu

Uma pesquisa publicada em 2025 na revista Land, com a liderança de Katsonopoulou, juntou as pistas da arqueologia e da geologia para montar a primeira linha do tempo completa dos terremotos da Falha de Helike ao longo de quase três mil anos. O estudo viu que tremores muito fortes aconteciam mais ou menos a cada 300 anos, entre os períodos Geométrico e Romano.

Modelos feitos no computador mostraram que o terremoto de cerca de 2100 a.C. levantou o terreno entre 6 e 7 metros. Já o evento de 373 a.C. fez o contrário: afundou a superfície entre 4 e 9 metros, abrindo espaço para a água do mar entrar. Depois de cada tragédia, quem sobrevivia reconstruía a vida em áreas ali perto. Oficinas de tecidos do período helenístico achadas a oeste mostram que a economia se recuperava rápido.

Será que a história da Atlântida nasceu aqui?

A destruição de Helike aconteceu poucos anos antes de Platão escrever seus textos sobre a Atlântida. O historiador Adalberto Giovannini defende a ideia de que o afundamento da cidade pode ter inspirado o filósofo a terminar sua história com a ilha lendária sendo engolida pelo mar. A coincidência de datas, junto com a forte ligação de Helike com Poseidon, ainda alimenta as discussões entre os estudiosos.

Outros pesquisadores veem na tragédia de Helike uma semelhança ainda maior: uma cidade de verdade, rica e cheia de templos, que desapareceu em uma única noite por causa de forças da natureza que os gregos achavam que eram castigo dos deuses. Mesmo que não se prove a ligação com a Atlântida, Helike continua sendo um dos registros mais completos de como os desastres naturais mudaram o rumo das civilizações antigas no Mediterrâneo.

Um pedaço de história que a terra guardou por 24 séculos

Helike foi um centro religioso, alvo de buscas que nunca davam em nada, uma lenda de cidade submersa e, por fim, um sítio arqueológico em terra firme. O que faz dela diferente de outras cidades perdidas é a rara mistura de relatos escritos que atravessaram mais de dois mil anos com provas da geologia que confirmam como se deu a destruição.

Se um dia a Grécia antiga despertar sua curiosidade para além das fotos bonitas de Atenas e Santorini, vale a pena conhecer a planície entre Egiom e Rizomylos, onde as oliveiras crescem por cima de templos que o mundo achava que estavam para sempre no fundo do mar.

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