A escalada de tensão entre Estados Unidos e Irã voltou a ganhar força após novas ameaças militares e declarações de retaliação por parte de autoridades iranianas. O cenário envolve advertências sobre ataques à infraestrutura energética, riscos ao comércio global de energia e possibilidade de ampliação do conflito para além do Oriente Médio.
Uma autoridade sênior do governo iraniano afirmou à agência Reuters que, caso os Estados Unidos ataquem usinas de energia no país, a resposta de Teerã poderá provocar “uma escuridão total” na região.
Segundo a fonte, que pediu para não ser identificada, o Irã alertou que ataques à sua infraestrutura energética poderiam resultar em ações retaliatórias capazes de afetar inclusive a Arábia Saudita.
A mensagem teria sido transmitida aos Estados Unidos e a países da região por meio do Catar, que atua como intermediário diplomático nas comunicações entre os governos.
Guerra no Irã: retaliação imediata
Um enviado iraniano também declarou que Teerã tomará medidas “imediatas e proporcionais” caso Washington concretize as ameaças de ataque.
De acordo com essa posição, qualquer ação militar americana contra instalações estratégicas do Irã será respondida de forma direta.
A autoridade iraniana também afirmou que o país não demonstrará flexibilidade nas negociações enquanto os Estados Unidos continuarem exigindo o que classificou como “rendição sob pressão”.
Apesar da escalada verbal, Teerã e Washington seguem trocando mensagens por canais indiretos, atualmente por meio do Paquistão.
Guarda Revolucionária ameaça atingir energia da região
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) também elevou o tom das declarações.
Segundo o grupo, ataques contra o país poderiam desencadear uma “nova fase de ataques de represália”.
Entre as ameaças mencionadas estão possíveis ataques a alvos energéticos e ações capazes de privar a região de petróleo e gás por anos.
O IRGC ainda afirmou que, caso os Estados Unidos ultrapassem determinadas “linhas vermelhas”, a resposta iraniana poderá ir muito além do Oriente Médio.
Risco de bloqueio de rotas estratégicas
Outro alerta feito por autoridades iranianas envolve o risco de interrupção de rotas marítimas estratégicas.
Aliados do Irã poderiam fechar o Estreito de Bab el-Mandeb caso o conflito saia do controle, segundo a fonte iraniana citada pela Reuters.
O estreito conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e é uma das principais rotas do comércio global de petróleo e mercadorias.
Além disso, o Estreito de Ormuz segue no centro das tensões entre os dois países. A passagem marítima é considerada um dos pontos mais críticos para o fluxo mundial de petróleo.
Ultimato de Trump aumenta pressão
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estabeleceu um prazo para que o Irã aceite um acordo relacionado à situação no Estreito de Ormuz.
O prazo final foi fixado para esta terça-feira às 20h (horário da costa leste dos Estados Unidos), 21h em Brasília.
Trump afirmou que os Estados Unidos têm capacidade de destruir rapidamente diversas infraestruturas estratégicas do Irã, incluindo pontes, usinas de energia e outras instalações críticas.
Em declarações recentes, o presidente também mencionou possíveis ataques a poços de petróleo e usinas de dessalinização de água.
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