Transformação digital, integrada à agenda de risco, tornou-se uma prioridade urgente no ambiente corporativo. Ainda assim, algumas organizações têm operado com pouco preparo para lidar com tecnologias emergentes. Algumas apresentam baixa maturidade em governança e enfrentam limitações significativas de recursos e talentos especializados.
Isso fica evidente na análise dos dados da Pesquisa “Liderança de TI e Resiliência: como você tem enfrentado esse momento?”, realizada pelo Eatech, em parceria com a LANDtech. No mapeamento, 41,13% dos 141 líderes de TI do Brasil entrevistados afirmam que as infraestruturas das empresas em que trabalham não estão adequadas para rodar tecnologias emergentes.
Outro dado que preocupa: quase metade (47,52%) desses gestores admite que as companhias em que atuam ainda não estruturaram governança para o novo momento digital. E mais: apenas 10,64% desses executivos consideram suas empresas muito preparadas para a IA generativa, a tecnologia mais discutida no mercado.
“A rotina dos líderes de TI é marcada por decisões estratégicas sob alta pressão, exigindo desempenho consistente, clareza na tomada de decisões e equilíbrio emocional diante de cenários complexos e, muitas vezes, imprevisíveis. E o objetivo desse estudo foi captar, de uma forma estruturada e aprofundada, dados do contexto desses profissionais. Não apenas para gerar porcentagens, mas para estimular reflexões e ações”, explica Vitor Cavalcanti, CEO do Eatech.
Na pesquisa os líderes de TI também foram questionados sobre os principais desafios para deixar a empresa em dia para o uso das tecnologias emergentes existentes e as que possam surgir. Entre as respostas mais citadas, três se destacam: limitação de budget para inovação (percepção de 52,48% dos gestores), falta de conhecimento na equipe (49,65%) e ausência de profissional qualificado (47,52%).
Um ponto crítico que também merece ser observado tem relação com a postura desses gestores de TI. A maioria, em média 90%, diz assumir uma atitude proativa ou propositiva diante de situações de pressão, sobrecarga, mudanças ou esgotamento. Porém, na autoavaliação de autocuidado e de gestão de estresse e de insegurança, apenas uma parcela reduzida, cerca de 15%, se considera muito preparada.
São dados que sugerem um desequilíbrio perigoso: líderes de TI trilhando o caminho da resiliência, enquanto atuam em organizações com baixa maturidade digital. Uma situação que os obriga a compensar lacunas organizacionais com esforço pessoal, em um cenário em que muitos não praticam autocuidado de maneira adequada e nem se sentem totalmente preparados para lidar com estresse e insegurança.
“Esse paradoxo representa um risco de burnout estrutural. Isso porque, em algum momento, líderes que não cuidam de si mesmos tendem a adotar posturas reativas, perpetuando a imaturidade organizacional. Por isso, a resiliência individual deve caminhar junto com o desenvolvimento da maturidade e da competitividade da organização. Esse alinhamento é essencial para construir lideranças sustentáveis e preparar a empresa para os desafios do presente e futuro”, destaca Alexandre Benedetti, diretor geral da LANDtech.












