A 37 km de Santarém, no oeste do Pará, uma vila ribeirinha guarda praias de areia branca banhadas por águas azul-turquesa do Rio Tapajós. Alter do Chão ficou conhecida como o Caribe Amazônico com razão: em 2009, o jornal britânico The Guardian elegeu sua praia como a mais bonita de água doce do mundo, distinção que o destino carrega até hoje.
O que torna Alter do Chão única no planeta?
A explicação para as águas cristalinas está nos fundos arenosos do Tapajós. Ao contrário do barrento rio Amazonas, o Tapajós é um rio de águas claras, com tom esverdeado que vira azul-turquesa nas paragens de Alter do Chão. Quando o nível do rio baixa, entre agosto e novembro, surgem extensas faixas de areia branca no meio da floresta, formando praias que seriam improváveis em qualquer outro contexto amazônico.
A curiosidade mais surpreendente está literalmente embaixo dos pés: a vila emprestou o nome ao Aquífero Alter do Chão, considerado a maior reserva subterrânea de água doce do planeta. Estudos da Universidade Federal do Pará (UFPA) estimam reservas que superam 162.500 km³, volume muito superior ao do Aquífero Guarani, até então recordista mundial. Alter do Chão é, acima e abaixo do solo, um oásis de água doce.
A história do lugar também surpreende. Fundada em 6 de março de 1626 pelo português Pedro Teixeira, a vila recebeu missões jesuítas e herdou dos indígenas Borari o Çairé, uma festa de sincretismo religioso celebrada há mais de 300 anos. O nome “Alter do Chão” homenageia a cidade homônima do Alentejo, em Portugal, e significa literalmente “a outra terra chã”.

Reconhecimento nacional e internacional com links verificados
Alter do Chão acumulou reconhecimentos que poucas vilas brasileiras alcançaram. Em ordem cronológica, conforme documentado pela Prefeitura de Santarém:
- 2009: o jornal britânico The Guardian elegeu Alter do Chão como a praia de água doce mais bonita do mundo.
- 2018: o caderno Viagem do O Estado de São Paulo incluiu a vila entre os dez melhores destinos do mundo para visitar em 2019.
- 2021: eleita o Melhor Destino Turístico Nacional pelo Prêmio UPIS de Turismo, com 97,55% dos votos, superando a Chapada Diamantina e o Jalapão.
- 2024: reconhecida pelo Ministério do Turismo como um dos 15 destinos mais desejados do Brasil.
- 2025: conquistou o Selo Prata em Boas Práticas de Turismo Sustentável, concedido pelo Sebrae Nacional em parceria com a Green Destinations, certificação internacional que coloca o destino entre os melhores do planeta em sustentabilidade.
O que fazer em Alter do Chão ao longo do ano?
A vila oferece experiências distintas em cada estação. O roteiro a seguir cobre as principais atrações, conforme o Portal de Turismo de Santarém:
- Ilha do Amor: banco de areia branca que emerge no verão amazônico em frente à vila. A travessia é feita de canoa ou a pé, quando as águas estão baixas. É o cartão-postal mais fotografado do destino.
- Lago Verde: conhecido como “Floresta Encantada” durante a cheia, quando árvores parcialmente submersas formam corredores de canoa dentro da mata. No período seco, as margens revelam praias de areia.
- Floresta Nacional do Tapajós (FLONA): unidade de conservação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) com 527 mil hectares e mais de 160 km de praias fluviais. O acesso é feito de barco a partir de Alter do Chão, com guia nativo obrigatório na Comunidade de Jamaraquá. As trilhas passam por samaúmas centenárias.
- Serra da Piraoca (Morro do Cururú): mirante natural a 110 metros de altitude com vista panorâmica de Alter do Chão, do Lago Verde e do Tapajós. Uma das melhores posições para o pôr do sol na Amazônia.
- Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns: a cerca de 1h30 de barco, abriga 74 comunidades ribeirinhas com turismo de base comunitária, incluindo pesca, artesanato em palha de tucumã e observação de fauna.
- Festa do Çairé: realizada anualmente em setembro, é a manifestação cultural mais antiga da Amazônia em atividade. Inclui procissões fluviais, o Duelo dos Botos e apresentações de Carimbó.
Quem sonha em conhecer o Pará, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Boa Sorte Viajante – Matheus Boa Sorte, que conta com mais de 935 mil visualizações, onde Matheus Boa Sorte mostra as belezas de Alter do Chão:
Quando ir e o que aproveitar em cada época
O ritmo de Alter do Chão é ditado pelas cheias e vazantes do Tapajós. A paisagem muda completamente entre as duas estações, com dados do Climatempo para Santarém, cidade-base mais próxima:
| Estação | Meses | Temperatura | Chuva | O que fazer |
|---|---|---|---|---|
| Verão amazônico | Ago-Nov | 27-35°C | Baixa | Melhor época: praias, Ilha do Amor, passeios fluviais |
| Transição | Dez-Jan | 26-33°C | Média | Praias ainda visíveis, início das cheias |
| Inverno amazônico | Fev-Mai | 25-30°C | Muito alta | Canoa nos igapós, observação de fauna, Lago Verde |
| Transição | Jun-Jul | 26-32°C | Alta | Çairé (setembro), FLONA do Tapajós |
Temperaturas aproximadas para Santarém, cidade-base da região. Condições podem variar. Consulte o Climatempo antes de viajar.
Como chegar ao Caribe Amazônico
O acesso a Alter do Chão passa obrigatoriamente por Santarém, que possui o Aeroporto Maestro Wilson Fonseca (STM), com voos regulares de Belém, Manaus e Brasília. De Santarém até Alter do Chão são 37 km pela Rodovia Everaldo Martins (PA-457), totalmente pavimentada, com trajeto de cerca de 40 minutos de carro ou táxi. Há também a opção de travessia pelo Rio Tapajós de barco ou lancha, com duração média de três horas.
Uma vila que se transforma sem deixar de ser ela mesma
Alter do Chão não é o tipo de destino que precisa de propaganda. As premiações internacionais, os turistas europeus e norte-americanos que aparecem o ano inteiro e a floresta que abraça a vila de todos os lados falam por conta própria. A água doce, cristalina e quente é só o começo da história.
Você precisa ir a Alter do Chão e entender por que um lugar no meio da Amazônia conseguiu fazer o mundo olhar para o Pará.

