O sonho de viver sem barreiras visuais no meio da natureza ganhou forma concreta em uma impressionante mansão circular. Localizada nas montanhas isoladas da Espanha, a obra desafia as construções tradicionais ao propor um espaço que praticamente desaparece no cenário rochoso. Essa estrutura arquitetônica inovadora permite que os moradores respirem o ambiente externo e se conectem com o exterior a partir de qualquer ponto da casa.
Quem são os criadores dessa mansão circular na montanha espanhola?
O complexo imobiliário nasceu da iniciativa do incorporador francês Christian Bourdais, idealizador do projeto Solo Houses. O objetivo do empreendimento é erguer 15 residências de férias e um hotel no território de Matarraña, na comunidade de Aragão, entregando o desenho de cada unidade para uma mente criativa diferente. A primeira obra do conjunto ficou pronta no ano de 2013, pelas mãos do duo chileno Pezo von Ellrichshausen, no vilarejo de Cretas.
A segunda residência finalizada foi entregue em 2017, exigindo dois anos ininterruptos de construção e adaptação do terreno. O trabalho meticuloso foi assinado pelo escritório belga Office KGDVS, liderado pelos arquitetos Kersten Geers e David Van Severen, que assumiram o desafio de desenhar uma estrutura imersiva focada no Parque Natural dos Puertos de Beceite.

Como a geometria contínua transforma a experiência dos moradores
O grande destaque da obra é a sua cobertura plana com exatos 45 metros de diâmetro. Em vez de erguer paredes sólidas convencionais para fechar a planta, os projetistas sustentaram o imenso teto utilizando quatro fileiras retas compostas por oito colunas de concreto armado. Essa distribuição estrutural divide a laje principal em segmentos funcionais muito bem definidos:
- Uma sala de estar ampla e livre de quinas.
- O quarto principal está posicionado para captar a melhor faixa de sol.
- Um quarto de hóspedes isolado para acomodar os visitantes do complexo.
- A área da piscina integrada aos ambientes de descanso.
Cada um desses ambientes abriga cerca de 60 m² de área coberta. Essa escolha geométrica rigorosa garante uma circulação perimetral ininterrupta pelos espaços da casa, entregando uma visão limpa de 360 graus da paisagem. A ausência de bloqueios visuais faz com que a estrutura atue quase de forma invisível no topo da montanha.

Quais são as divisões internas e os materiais dessa mansão circular?
Para garantir que o imóvel suportasse o clima aberto e mantivesse uma estética de respeito ao solo bruto, todo o piso foi executado em concreto polido, expondo o agregado natural da pedra local. A área útil total engloba impressionantes 1.600 m², onde o centro exato da circunferência abriga um imenso pátio ajardinado de 1.050 m². Essa praça particular resguarda uma piscina esculpida diretamente na rocha da planície, firmando um diálogo direto com a geologia da região.
As vedações da propriedade apostam em sistemas dinâmicos e transparência. O fechamento externo utiliza painéis deslizantes de malha metálica expandida de alumínio, que funcionam como cortinas industriais para filtrar a entrada de luz e garantir privacidade aos hóspedes. Nos limites habitáveis, enormes paredes de vidro sobem do chão ao teto, eliminando quase totalmente a necessidade de iluminação elétrica durante o período diurno.

Os segredos por trás da autonomia energética e hídrica da residência
A localização isolada do platô exigiu que o projeto operasse de forma totalmente off-grid, garantindo conforto moderno sem depender da rede pública de distribuição. Essa independência no topo da montanha foi alcançada através de um pacote rigoroso de soluções ecológicas:
- Toda a demanda elétrica e o sistema de aquecimento funcionam exclusivamente via energia solar fotovoltaica.
- A propriedade realiza a coleta e purificação de água pluvial de forma autossuficiente para hidratação e banhos.
- Os tanques de retenção hídrica e os modernos equipamentos de filtragem ficam concentrados na laje de cobertura.
Para abrigar os equipamentos técnicos pesados, a equipe projetou dois grandes volumes cilíndricos emergindo do teto da residência. O artista belga Pieter Vermeersch cobriu essas estruturas com um gradiente de tinta acrílica que transita entre tons conforme a incidência natural de luz, transformando máquinas industriais em obras de arte.
Para explorar visualmente o impacto dessa integração entre arte, tecnologia e isolamento geográfico, selecionamos o conteúdo do canal Designs 360, que conta com mais de 6,71 mil inscritos na plataforma. No vídeo a seguir, o tour apresenta a transição fluida entre os acabamentos internos de concreto e a natureza externa:
Por que projetos integrados ditam o futuro da ocupação ambiental?
A finalização dessa mansão circular prova que é possível aliar o mais alto padrão estético de luxo com um impacto ambiental nulo na infraestrutura de regiões de conservação. O lote imenso de 90.000 m² foi rigorosamente respeitado na sua inclinação original, sem movimentações agressivas de terra ou desmatamento não essencial para o nivelamento.
Obras que tratam a topografia como protagonista abrem um precedente vital para a construção civil contemporânea e sustentável. Quando a engenharia foca na invisibilidade arquitetônica, o resultado construído deixa de ser apenas um abrigo isolado para se tornar uma extensão fluida, funcional e inteiramente harmônica do próprio ecossistema silvestre.

