Uma barragem na República Tcheca virou notícia mundial ao exibir um fenômeno perturbador: o gelo da barragem de Lipno ganhou uma coloração verde fluorescente intensa, visível a olho nu. Após análises biológicas detalhadas, o culpado revelado foi muito mais estranho e resistente do que qualquer um imaginava.
O que causou a coloração verde na superfície da barragem?
O gelo ganhou essa aparência após uma proliferação massiva de cianobactérias presas na superfície congelada. O Centro de Biologia da Academia de Ciências Tcheca confirmou que a carga de células era tão densa que o pigmento verde atravessou o gelo, criando o efeito visual surreal registrado no local.
Essas bactérias conseguem sobreviver mesmo em temperaturas negativas, mantendo seus pigmentos fotossintéticos ativos durante todo o inverno. A concentração ocorreu exatamente na interface entre água e gelo, amplificando visualmente a cor quando a luz atravessava a camada congelada.

Por que as cianobactérias sobrevivem em temperaturas tão baixas?
Esses micro-organismos possuem mecanismos que permitem atividade celular mesmo abaixo de zero, formando colônias densas protegidas por uma matriz gelatinosa que impede o congelamento total das células.
Os principais fatores que garantem essa sobrevivência são:
- Pigmentos fotossintéticos extremamente estáveis em baixas temperaturas
- Capacidade de armazenar nutrientes suficientes para atravessar o inverno
- Formação de colônias que criam isolamento térmico coletivo
- Adaptação à interface água-gelo, onde a luz ainda penetra
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Como esse fenômeno se compara a outros eventos similares no mundo?
O caso de Lipno foi excepcional pela intensidade, mas proliferações de cianobactérias em ambientes frios não são inéditas. A combinação entre luz, matéria orgânica e baixa movimentação da água cria o cenário ideal para esses eventos mesmo no inverno.
Veja como diferentes fatores influenciam a ocorrência do fenômeno:

Esse fenômeno representa risco para humanos e animais?
Apesar da aparência perturbadora, o gelo reduziu a atividade tóxica das cianobactérias no momento do registro. No entanto, especialistas alertam que essas colônias podem liberar toxinas quando retornam ao estado líquido durante o degelo.
Por isso, as autoridades tchecas reforçaram protocolos de monitoramento na barragem, especialmente durante a primavera, quando o risco de liberação de toxinas na água se torna real e imediato.

Esse tipo de evento vai se tornar mais comum?
Estudos recentes apontam que as mudanças climáticas estão tornando invernos irregulares e degelos rápidos mais frequentes, criando condições cada vez mais favoráveis para explosões microbianas em lagos de todo o mundo.
O caso de Lipno funciona como um alerta: ambientes frios com altos níveis de nutrientes são vulneráveis a esse tipo de fenômeno, e o monitoramento contínuo de reservatórios em regiões temperadas pode se tornar essencial nas próximas décadas.

