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Fed mantém juros dos Estados Unidos inalterados entre 3,5% e 3,75% ano

Fed mantém juros inalterados, cita inflação elevada e reforça postura cautelosa diante das incertezas no cenário econômico global.

Renata NunesPor Renata Nunes
19/03/2026

O Federal Reserve decidiu manter inalterada a taxa básica de juros dos Estados Unidos na faixa entre 3,5% e 3,75% ao ano, em decisão anunciada nesta quarta-feira (18). A autoridade monetária avaliou que a economia americana segue em expansão em ritmo considerado sólido, embora a inflação permaneça acima do nível desejado.

Na leitura de William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, a decisão do Federal Reserve de manter os juros entre 3,5% e 3,75% ao ano veio em linha com o esperado e trouxe poucas mudanças no comunicado. Segundo ele, a principal novidade foi a inclusão de uma menção explícita ao conflito no cenário internacional como fator adicional de incerteza, sem indicação direta de impacto inflacionário ou de desaceleração econômica. O estrategista destaca que as alterações mais relevantes ocorreram nas projeções econômicas, com leve revisão para cima do crescimento do PIB em 2026, mas com elevação mais significativa das estimativas de inflação, tanto no índice cheio quanto no núcleo. Para Castro Alves, o movimento concentra pressões inflacionárias principalmente em 2026, enquanto o horizonte de 2027 ainda aponta inflação próxima da meta, o que ajuda a explicar a manutenção das projeções para a taxa de juros ao fim do ano. Ele avalia que o mercado deve buscar entender se a revisão reflete efeitos do conflito ou a persistência inflacionária recente, enquanto aguarda novas sinalizações na coletiva do presidente Jerome Powell.

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Segundo comunicado do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), o objetivo continua sendo alcançar máximo emprego e inflação de 2% no longo prazo. A instituição destacou que a incerteza em relação às perspectivas econômicas ainda é elevada e apontou que os desdobramentos no Oriente Médio podem trazer impactos incertos para a economia dos Estados Unidos.

Fed mantém juros: economia segue resiliente, mas inflação preocupa

O Fed observou que a atividade econômica tem mostrado força, enquanto o mercado de trabalho apresenta estabilidade. A criação de empregos tem permanecido em níveis considerados baixos e a taxa de desemprego registrou pouca variação nos últimos meses.

Apesar disso, o comunicado reforça que a inflação segue em patamar elevado, o que exige cautela na condução da política monetária.

“O Comitê continuará monitorando as implicações das novas informações para as perspectivas econômicas e estará preparado para ajustar a postura da política monetária conforme apropriado, caso surjam riscos que possam impedir o alcance de seus objetivos. “, ressalta o comunicado.

Política monetária seguirá dependente de dados

O Fed sinalizou que futuras decisões sobre ajustes na taxa de juros dependerão da evolução dos dados econômicos e do balanço de riscos. A autoridade monetária afirmou estar preparada para alterar a postura da política monetária caso surjam ameaças ao cumprimento de seus objetivos.

“As avaliações do Comitê levarão em consideração uma ampla gama de informações, incluindo dados sobre as condições do mercado de trabalho, pressões inflacionárias e expectativas de inflação, bem como desenvolvimentos financeiros e internacionais“, reforça o relatório.

Decisão teve voto divergente

A manutenção dos juros foi aprovada pela maioria dos dirigentes do Fed, incluindo o presidente Jerome Powell e o vice-presidente John Williams.

O único voto contrário foi do dirigente Stephen Miran, que defendeu redução de 0,25 ponto percentual na taxa de juros já nesta reunião.

A decisão ocorre em um momento de elevada atenção dos mercados globais, que acompanham sinais sobre o início de um possível ciclo de flexibilização monetária nos Estados Unidos.

Análise aponta cautela do Fed

Na avaliação de Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, a decisão do Federal Reserve de manter os juros já era amplamente esperada pelo mercado, mas a principal dúvida estava na possibilidade de uma sinalização mais conservadora para o restante do ano. Segundo ele, isso não ocorreu, já que as projeções ainda indicam, na média, um corte de juros em 2026, em linha com o cenário traçado em dezembro.

“A mudança mais relevante está na revisão das expectativas de inflação, que subiram de 2,4% para 2,7% neste ano e de 2,1% para 2,2% no próximo, enquanto a taxa de desemprego permanece em 4,4% e a projeção de crescimento do PIB foi levemente ajustada para 2,4%. O fator decisivo para a trajetória dos juros continuará sendo a duração do conflito no Oriente Médio e seus impactos sobre os preços de energia e a inflação“, analisa.

Ele ressalta que medidas como eventuais restrições às exportações de petróleo pelos Estados Unidos poderiam suavizar pressões inflacionárias, mas, ainda assim, os próximos dados devem mostrar uma aceleração dos índices de preços.

“O Fed optou por manter uma postura de espera antes de indicar mudanças mais claras na política monetária, embora novos sinais possam surgir na entrevista coletiva do presidente Jerome Powell“, conclui.

Para Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, apesar da guerra no Irã e do petróleo perto de US$ 100, o Fed está sinalizando que a desaceleração da economia americana pesa mais na balança do que o risco inflacionário de curto prazo. E destaca que esse movimento é positivo pra ativos de risco no geral.

“Para o Brasil, a implicação é direta. Se o Fed sinaliza mais cortes, o diferencial de juros fica mais confortável para o Banco Central brasileiro conduzir o ciclo de queda da Selic com menos pressão cambial“, avalia.

Inflação no radar do Fed

Já na leitura de William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, a decisão trouxe poucas mudanças no comunicado. Segundo ele, a principal novidade foi a inclusão de uma menção explícita ao conflito do Irã no cenário internacional como fator adicional de incerteza, sem indicação direta de impacto inflacionário ou de desaceleração econômica.

“As alterações mais relevantes ocorreram nas projeções econômicas, com leve revisão para cima do crescimento do PIB em 2026, mas com elevação mais significativa das estimativas de inflação, tanto no índice cheio quanto no núcleo“, analisa o estrategista.

Para Castro Alves, o movimento concentra pressões inflacionárias principalmente em 2026, enquanto o horizonte de 2027 ainda aponta inflação próxima da meta, o que ajuda a explicar a manutenção das projeções para a taxa de juros ao fim do ano.

“O mercado deve buscar entender se a revisão reflete efeitos do conflito ou a persistência inflacionária recente“, conclui.

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