A reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que se encerra nesta quarta-feira (18), ocorre em um ambiente de maior volatilidade internacional e dúvidas sobre a trajetória da inflação doméstica. Diante desse cenário, bancos e corretoras passaram a revisar suas projeções para a taxa básica de juros, atualmente em 15% ao ano.
Enquanto parte do mercado avalia que o ciclo de flexibilização deve ser iniciado já nesta reunião, outras instituições consideram mais provável a manutenção da Selic em patamar elevado por mais tempo.
XP prevê manutenção da Selic em 15%
A XP revisou sua perspectiva para a decisão desta semana e passou a projetar que o Copom deve manter a taxa básica de juros inalterada em 15% ao ano. A avaliação da instituição considera a deterioração do ambiente inflacionário recente e o aumento das incertezas externas, sobretudo após a escalada do conflito no Oriente Médio.
Segundo a casa, a combinação entre preços mais altos do petróleo, atividade doméstica ainda resiliente e expectativas inflacionárias acima da meta reduz o espaço para o início imediato do ciclo de cortes. A corretora também destaca que o Banco Central tende a adotar postura cautelosa enquanto monitora os impactos desses fatores sobre o horizonte relevante de inflação.
A leitura é que o comitê pode optar por aguardar mais sinais de convergência inflacionária antes de iniciar a flexibilização monetária.
Daycoval vê início do ciclo com corte de 0,25 ponto
Já o Departamento de Estudos e Pesquisas Econômicas (DPEc) do Banco Daycoval mantém a expectativa de que o Copom dará início ao ciclo de queda dos juros nesta reunião, promovendo um corte de 0,25 ponto percentual, levando a Selic para 14,75% ao ano.
Na avaliação do banco, a autoridade monetária já havia indicado, na reunião de janeiro, que ganhou confiança para iniciar a flexibilização da política monetária. Além disso, o nível atual dos juros é considerado significativamente contracionista, o que justificaria o início de ajustes graduais.
Ainda assim, o Daycoval reconhece que o choque recente nos preços do petróleo, impulsionado pelo conflito no Oriente Médio, aumentou o viés de manutenção da taxa. O ambiente externo mais incerto, combinado com a postura cautelosa do Federal Reserve, exige maior prudência dos países emergentes.
No cenário doméstico, o banco destaca sinais de fortalecimento da atividade econômica no início de 2026, avanço do setor de serviços e pressões salariais decorrentes da escassez de mão de obra em diversos segmentos. Esses fatores, segundo a instituição, mantêm o desafio da convergência da inflação para a meta.
ASA também projeta corte mais cauteloso
O ASA revisou recentemente sua projeção e passou a esperar um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, abandonando a expectativa anterior de redução mais intensa. A principal mudança de cenário está relacionada ao ambiente internacional, que se tornou mais adverso com a alta das commodities energéticas. O aumento do preço do petróleo amplia os riscos inflacionários, tanto pelo impacto direto sobre combustíveis quanto por possíveis efeitos indiretos sobre expectativas e preços administrados.
A casa avalia que esse choque deve levar o Banco Central a revisar para cima suas projeções de inflação no horizonte relevante, aproximando o IPCA de níveis superiores ao centro da meta. Nesse contexto, um início de ciclo mais gradual permitiria ao comitê preservar a sinalização feita em janeiro, mas com maior cautela diante das incertezas. “A opção por 0,25 p.p. permite ao Copom preservar a sinalização de janeiro, iniciando o ciclo de cortes, mas ao mesmo tempo reconhecendo o aumento expressivo da incerteza. Em um ambiente em que ainda não está claro qual será a duração do choque sobre petróleo, ativos globais e prêmio de risco, o início mais moderado compra tempo para o Comitê observar os próximos dados e calibrar melhor a extensão da flexibilização”, diz o relatório assinado pela equipe de macroeconomia do ASA.
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