A combinação de resultados positivos no front econômico com a isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5.000,00 mensais era vista pelos petistas como uma fórmula imbatível para a vitória em 2026. Mas o tempo foi passando e a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva continuou a cair. Muitos estrategistas do PT, no entanto, acreditavam que isso iria mudar a partir do início deste ano, quando os efeitos da isenção de IR para 10 milhões de brasileiros iria entrar em vigor.
Um recorte da pesquisa Datafolha divulgada no final de semana, contudo, mostra que esta medida ainda não causou impacto eleitoral nesta faixa salarial. Pelo contrário, aliás. Entre aqueles que ganham entre 2 e 5 salários-mínimos (R$ 3.280 a R$ 8.200), o percentual de intenção de voto para Lula caiu de 47% para 40%; enquanto isso, o índice de Flávio Bolsonaro subiu de 40% para 48% (o número de indecisos diminuiu de 12% para 11%).
Em termos de renda mensal, por sinal, o único reduto eleitoral do presidente está entre aqueles que recebem mensalmente até dois salários-mínimos. Mesmo assim, Lula também perdeu terreno neste segmento: continua liderando, mas retrocedeu de 55% para 52% (o senador carioca cresceu de 32% pra 37%, com indecisos descendo de 12% para 9%).
Diante destes resultados, é o caso de se pensar: Lula bateu no teto? Será que a estratégia de combinar medidas de cunho trabalhista com projetos sociais (algo que deu certo no passado) ainda funciona?
Lula está em busca de uma iniciativa que tenha um efeito semelhante ao do Bolsa-Família nas eleições anteriores. Um exemplo disso é seu interesse em reduzir a jornada de trabalho 6×1 ou instituir o transporte público gratuito em todo o país. Mas talvez esse caminho não funcione mais, pois a mentalidade da sociedade brasileira mudou – e mesmo uma parcela dos jovens de esquerda passou a rejeitar o PT e seu líder máximo.
Enquanto no Nordeste ainda há uma dependência muito forte da população mais carente aos projetos assistencialistas do governo, o restante do país parece não querer viver sob a tutela do Estado. O espírito empreendedor (abraçado com louvor pelos evangélicos) parece ter mais apelo junto à camada necessitada do Sudeste, Sul e Centro-Oeste do que a possibilidade de viver com uma mesada do governo.
A disputa de 2026 está se desenhando em um terreno muito diferente daquele que consagrou Lula no passado. O eleitorado já não reage ao nome do presidente com a mesma resposta emocional, que hoje é muito mais suscetível às marés das redes sociais. O governo tenta reencontrar um caminho que dialogue com esse novo ambiente, mas a sensação é de que o Planalto simplesmente não sabe o que mudou na cabeça do eleitor, especialmente o de centro. O desafio, agora, é compreender o que mobiliza o brasileiro da atualidade e qual narrativa ainda é capaz de sensibilizar um país que mudou de ritmo, de expectativas e de prioridades.
*Coluna escrita por Aluizio Falcão Filho, é jornalista, articulista e publisher do portal Money Report. Foi diretor de redação da revista Época e diretor editorial da Editora Globo, com passagens por veículos como Veja, Gazeta Mercantil, Forbes e a vice-presidência no Brasil da agência de publicidade Grey Worldwide
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