Os impactos da guerra no Irã já começam a ser precificados pelo comércio internacional, especialmente diante da possibilidade de um conflito prolongado em uma das regiões mais estratégicas do planeta para o fluxo de energia e mercadorias. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (3), que a ofensiva deve durar ao menos cinco semanas.
Para especialistas esse tempo de instabilidade no Golfo Pérsico seria suficientes para alterar decisões logísticas globais e elevar o nível de incerteza nas cadeias produtivas.
Segundo Jackson Campos, especialista em comércio exterior, o principal efeito imediato recairia sobre as rotas marítimas e aéreas que passam pela região.
“Cinco semanas de conflito em uma área estratégica como o Golfo Pérsico teriam impacto direto sobre o comércio internacional. A principal consequência seria o aumento da incerteza nas rotas marítimas e aéreas que passam pela região”, avalia.
Impactos da guerra do Irã: maior consumo de combustível
Com maior percepção de risco, armadores tendem a optar por rotas alternativas, o que amplia o tempo de trânsito das mercadorias. O desvio implica maior consumo de combustível e aumento dos prêmios de seguro, pressionando diretamente o valor do frete internacional.
Esse movimento, ainda que localizado geograficamente, se espalha rapidamente pelo sistema global de logística, que opera de forma interconectada.
“Com risco maior, armadores podem optar por desvios, o tempo de trânsito se alonga, o consumo de combustível cresce e os prêmios de seguro sobem. Esse movimento tende a pressionar o valor do frete e gerar atrasos em diferentes cadeias produtivas, mesmo fora do Oriente Médio, porque a malha logística global é interligada”, analisa.
Efeitos para o Brasil: custo, margem e previsibilidade
Para o Brasil, os impactos da guerra no Irã aparecem principalmente na estrutura de custos e na previsibilidade das operações de comércio exterior. O encarecimento do frete reduz margens de exportação e torna mais cara a importação de insumos estratégicos.
Além disso, uma eventual alta consistente no petróleo pode alcançar o diesel e o transporte interno, gerando reflexos sobre preços e inflação.
“Para o Brasil, o efeito aparece principalmente em custos e previsibilidade. Fretes mais caros reduzem margem de exportação e encarecem a importação de insumos”, afirma.
Agronegócio e China também sentem os impactos da guerra no Irã
O agronegócio também pode sentir os efeitos indiretos do conflito, especialmente caso haja pressão sobre o fornecimento de fertilizantes e outros insumos relevantes para a produção agrícola. Como o Brasil depende de importações nesse segmento, qualquer ruptura ou encarecimento tende a afetar a competitividade do setor.
Outro ponto de atenção é a Ásia, sobretudo a China. Caso o aumento do custo da energia desacelere a atividade econômica na região, a demanda por commodities brasileiras pode ser impactada.
“Se houver alta consistente no petróleo, o impacto alcança o diesel e o transporte interno, com reflexos sobre preços e inflação. Também pode haver pressão sobre o fornecimento de fertilizantes e outros insumos relevantes para o agronegócio.”
Estreito de Ormuz: percepção de risco já altera o mercado
No caso do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o escoamento global de petróleo, não é necessário um bloqueio total para que os efeitos sejam relevantes. A simples percepção de risco já altera decisões de rota e eleva custos de seguro.
Caso o fluxo seja parcialmente reduzido por algumas semanas, o mercado de energia tende a reagir com aumento de preços, o que se espalha para transporte e produção em escala global.
“Em relação ao Estreito de Ormuz, não é necessário um bloqueio total para que haja consequências relevantes. A simples percepção de risco já altera decisões de rota e eleva custos de seguro.”, avalia.
O alcance dos impactos dependerá da duração do conflito, da intensidade das restrições e da capacidade de adaptação das rotas alternativas disponíveis ao comércio internacional. Em um cenário prolongado, a pressão sobre custos logísticos, energia e inflação pode se consolidar.
“O impacto dependerá da duração, da intensidade das restrições e da capacidade de adaptação das rotas alternativas disponíveis ao comércio internacional.”














