Os naufrágios Ming no Mar do Sul da China funcionam como uma autêntica cápsula do tempo do século XVI, revelando um carregamento imperial a 1.500 metros de profundidade. A escavação resgatou peças raras que mudam a visão sobre o antigo comércio.
O que são os naufrágios Ming no Mar do Sul da China?
Em outubro de 2022, pesquisadores localizaram dois navios mercantes da antiga dinastia Ming, datados dos reinados de Hongzhi e Zhengde. As embarcações descansavam na encosta continental noroeste do mar chinês, isoladas por 14 quilômetros de distância.
O naufrágio nº 1 operava como um cargueiro de exportação lotado de riquezas, enquanto o naufrágio nº 2 fazia a rota de retorno com materiais asiáticos. As autoridades da China resgataram as primeiras relíquias usando submersíveis robóticos avançados.

Como as cargas imperiais dos dois navios se comparam?
As peças retiradas do fundo do oceano ilustram o comércio bidirecional da antiga Rota da Seda Marítima de forma clara. Enquanto um navio levava porcelanas chinesas para o exterior, o outro trazia matéria-prima natural de portos da Ásia e do Índico.
A tabela abaixo resume as diferenças exatas entre as duas embarcações escavadas na missão:
| Característica | Naufrágio nº 1 | Naufrágio nº 2 |
|---|---|---|
| Função da viagem | Exportação de mercadorias | Importação regional (retorno) |
| Itens recuperados | 890 peças resgatadas | 38 artefatos resgatados |
| Conteúdo principal | Porcelana, cerâmica e moedas | Madeira, conchas e chifres |
| Volume no local | Mais de 10.000 itens | Quantidade exata não revelada |
Quais itens da cápsula do tempo voltaram à superfície?
Mais de 928 artefatos já foram catalogados graças aos esforços de mapeamento 3D direto no leito oceânico. Esses materiais exigem um forte processo de dessalinização para manter a estrutura original após passarem séculos sob alta pressão aquática.
Os pesquisadores separaram as mercadorias resgatadas nos seguintes grupos principais durante a triagem:
- Porcelanas e cerâmicas: artigos luxuosos e caros feitos para abastecer o mercado internacional.
- Moedas de cobre: dinheiro de troca amplamente aceito durante o período do império chinês.
- Madeira e chifres: matérias-primas brutas que atestam a existência de um sistema de trocas organizado.
No vídeo a seguir, do canal CGTN Europa, com mais de 2,6 milhões de inscritos, é mostrado um pouco do que havia no naufrágio:
Por que essa operação em águas profundas é um desafio?
Trabalhar a 1.500 metros impõe barreiras físicas enormes, cobrando equipamentos de custo alto e janelas de operação bem curtas. Um pequeno desvio de um braço robótico ameaça destruir artefatos frágeis de cerâmica que sobreviveram intactos ao tempo.
A conservação no laboratório ainda demanda meses de química para estabilizar as peças de madeira e metal. Todo esse cuidado lembra a dinâmica de riscos do mercado financeiro e de commodities, onde um planejamento falho compromete toda a operação.

O que o futuro reserva para as escavações marítimas?
As equipes de patrimônio calculam que a zona ainda guarda milhares de objetos esperando resgate em novas expedições subaquáticas. As próximas viagens vão desenhar mapas navais precisos da época e trazer respostas diretas sobre a rotina dos portos asiáticos do passado.
Até agora, os especialistas evitam apontar a causa exata dos afundamentos, deixando de lado suposições sobre falhas ou grandes tempestades. O trabalho cuidadoso feito nesses navios vai virar a base padrão para todas as futuras buscas no oceano.

