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Na Suíça, os pobres vivem em “favelas” que oferecem qualidade de vida muito superior à de muitas cidades do mundo inteiro

Vitor Por Vitor
22/02/2026
Em Cidades

Localizada no noroeste da Suíça, Basileia é uma cidade que desafia a noção tradicional de pobreza urbana, ostentando um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) superior a 0,964. Mesmo nas áreas por vezes rotuladas como “favelas” nas redes sociais, a infraestrutura básica — como saneamento, segurança e transporte público — mantém um padrão de excelência que seria a inveja de muitas regiões nobres ao redor do planeta.

O significado do termo “favela” quando aplicado à realidade suíça

A expressão “favela” ganha um contorno peculiar no contexto suíço, funcionando mais como uma hipérbole digital para descrever zonas de alta densidade populacional e estética utilitária, distantes dos tradicionais cartões-postais alpinos. A distinção fundamental entre um bairro nobre e uma área operária em Basileia reside menos na ausência do poder público ou na precarização dos serviços e mais na metragem dos apartamentos e na simplicidade do design arquitetônico. Em locais como o bairro de Klybeck, o urbanismo privilegia a eficiência habitacional. Os edifícios, de linhas modernas e despojadas, abrigam uma população densa, mas são equipados com isolamento térmico de alta qualidade, acesso universal à água potável e passam por rigorosa manutenção predial, tudo isso sustentado por políticas públicas habitacionais consistentes.

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Basileia, Suíça // Créditos: depositphotos.com / Xantana

O dia a dia nos bairros de menor custo em Basileia

A vida social nessas regiões é profundamente marcada pela presença de uma comunidade imigrante vibrante, originária de lugares como Turquia, Bálcãs, Ásia e América Latina. Essa diversidade injeta uma energia singular nas ruas, contrastando com a tranquilidade dos bairros mais tradicionais e homogêneos. Ali, o comércio étnico floresce, as barbearias estão sempre movimentadas e a interação comunitária é uma constante. A decisão de residir nessas áreas é, muitas vezes, um movimento estratégico para quem busca acumular recursos em um dos países mais caros do mundo. Um trabalhador com um salário próximo a 4 mil francos suíços, por exemplo, consegue não apenas arcar com suas despesas, mas também ter acesso a tecnologia, lazer e uma alimentação de qualidade, desfrutando de um padrão de vida material que seria inacessível para a mesma faixa de renda em muitas outras nações.

Para compreender melhor essa dinâmica, vale a pena conferir o vídeo do canal Lima Experience, que visita as zonas menos favorecidas de Basileia e mostra essas diferenças de estilo de vida na prática:

Os benefícios da posição geográfica de Basileia para seus moradores

A localização privilegiada de Basileia, na confluência das fronteiras com a Alemanha e a França, oferece uma vantagem econômica única para seus residentes. Esse posicionamento geográfico dá origem a um “turismo de compras” cotidiano, onde as famílias podem reduzir significativamente o custo de vida ao atravessar a fronteira para adquirir mantimentos e outros bens em euros, capitalizando a favorável disparidade cambial. Essa prática inteligente de gestão do orçamento doméstico permite que as sobras de renda sejam direcionadas para viagens e bens de consumo duráveis. Nesse contexto, não é incomum ver carros populares estacionados nas ruas desses bairros, não como um símbolo de risco, mas como uma ferramenta prática de mobilidade, em uma cidade que ostenta baixíssimos índices de criminalidade em termos globais.

Basileia, Suíça // Créditos: depositphotos.com / matteocozzi

As particularidades do planejamento urbano nas regiões periféricas suíças

Explorar a chamada “periferia” suíça revela uma face da cidade menos idealizada, porém mais humana, onde a integração social se manifesta na prática cotidiana. Ao contrário do que se poderia imaginar, a habitação social não é sinônimo de negligência estatal. Os conjuntos residenciais destinados a refugiados e trabalhadores seguem protocolos rigorosos de limpeza e conservação, garantindo um padrão de dignidade. Abaixo, alguns dos pilares que sustentam a qualidade de vida nessas regiões:

Aspecto Descrição
Klybeck e Kleinbasel Polos vibrantes onde a diversidade cultural substitui a homogeneidade suíça.
Mobilidade Universal O sistema de bondes (trams) conecta o bairro mais pobre ao centro financeiro com a mesma pontualidade e conforto.
Segurança Pública Presença policial discreta porém efetiva, permitindo que crianças brinquem nas ruas sem supervisão excessiva.
Serviços Básicos Não há racionamento de água, falhas elétricas ou esgoto a céu aberto, independentemente da renda do bairro.
Basileia, Suíça // Créditos: depositphotos.com / Xantana

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Por que as áreas menos favorecidas da Suíça servem de exemplo para o mundo

A experiência de Basileia oferece uma lição poderosa: a desigualdade de renda não precisa, inevitavelmente, resultar em miséria e exclusão quando há políticas públicas estruturantes e um compromisso inegociável com a dignidade humana. A cidade demonstra que é possível oferecer uma infraestrutura de primeiro mundo a todas as classes sociais, criando um ambiente multicultural acolhedor, inclusive para brasileiros em fase de adaptação, e abrindo caminho para uma real possibilidade de ascensão financeira em um contexto de estabilidade econômica. Conhecer essa faceta mais realista da Suíça é fundamental para compreender o verdadeiro significado de desenvolvimento urbano inclusivo e de qualidade de vida para todos.

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