A sexta-feira chega com uma das agendas macroeconômicas mais relevantes das últimas semanas e mantém os investidores em postura defensiva. A combinação entre indicadores de atividade e inflação nos Estados Unidos, dados de emprego no Brasil e a persistência das tensões geopolíticas no Oriente Médio deve ditar o humor dos ativos ao longo do pregão.
O pano de fundo é claro: o mercado global voltou a discutir a velocidade dos cortes de juros — ou até mesmo a necessidade de mantê-los elevados por mais tempo.
Após o payroll mais forte do que o esperado nos EUA, os investidores passaram a revisar apostas para a política monetária americana. Agora, o foco se volta para duas divulgações centrais: o PIB do quarto trimestre e o índice de inflação PCE, referência preferida do Federal Reserve.
PIB e PCE: os números que podem mexer com o mundo
Às 10h30 (horário de Brasília), os EUA divulgam simultaneamente o crescimento econômico do 4º trimestre e o PCE. A leitura combinada desses dados é decisiva para os mercados.
Se o PIB vier forte e o PCE mostrar inflação resistente, o cenário reforça a tese de “juros mais altos por mais tempo”. Na prática, isso tende a:
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elevar os rendimentos dos Treasuries
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fortalecer o dólar globalmente
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pressionar bolsas emergentes
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reduzir o apetite por risco
Além disso, a prévia dos índices PMI da S&P Global ao meio-dia ajudará a medir o ritmo da atividade econômica americana e europeia no início de 2026, oferecendo pistas sobre desaceleração da economia mundial.
Petróleo, Irã e o efeito sobre o Brasil
No cenário geopolítico, o ultimato de Donald Trump ao Irã mantém a aversão ao risco elevada. O risco de escalada no Oriente Médio sustenta o petróleo em patamar alto, principalmente pela ameaça ao fluxo no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de energia.
Esse movimento teve efeito direto no mercado brasileiro. A alta do petróleo favoreceu as ações da Petrobras, que ajudaram o Ibovespa a resistir mesmo em sessões de fraqueza em Nova York.
Além disso, o fluxo estrangeiro para a bolsa brasileira continua atuando como fator de proteção para o real, reduzindo a pressão cambial mesmo em um ambiente global mais cauteloso.
Brasil: mercado de trabalho entra no radar do BC
No cenário doméstico, o principal dado do dia é a PNAD Contínua do quarto trimestre, divulgada às 9h. O indicador de emprego é acompanhado de perto pelo Banco Central.
O motivo é simples: um mercado de trabalho aquecido sustenta a renda e o consumo das famílias, o que pode dificultar a desaceleração da inflação de serviços, componente mais rígido do IPCA.
Assim, o dado pode influenciar diretamente as expectativas para a trajetória da Selic ao longo de 2026.
O que o investidor deve observar
O mercado hoje reage menos a um único número e mais à coerência do conjunto de indicadores. Os investidores buscam responder três perguntas principais:
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A economia americana ainda está forte demais para cortes de juros?
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A inflação global voltou a preocupar?
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O Banco Central brasileiro terá espaço para flexibilizar a Selic?
Com a combinação de inflação, crescimento, emprego e geopolítica, a sessão tende a ser marcada por volatilidade especialmente após a abertura dos mercados americanos.
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