A escalada da tensão entre EUA e Irã voltou ao radar dos investidores globais e já começa a provocar volatilidade nos preços do petróleo. O temor central do mercado não é exatamente uma guerra prolongada, mas um possível choque temporário de oferta, especialmente se houver impacto no Estreito de Ormuz, uma das rotas comerciais mais estratégicas do planeta.
Segundo Fabio Fares, especialista em análise macroeconômica, o principal canal de transmissão econômica do conflito seria o petróleo.
“Um fechamento no Estreito de Ormuz pode dar um choque nas cadeias de produção e gerar um problema de curto prazo”, afirmou em entrevista à BM&C News.
A região concentra não apenas exportações de petróleo, mas o fluxo de diversas commodities energéticas e insumos industriais, o que amplifica o risco de contágio econômico.
Tensão entre EUA e Irã: petróleo ainda não preocupa inflação
Apesar da apreensão, o impacto inflacionário ainda é considerado limitado. Fares explica que existe um nível crítico para o mercado começar a precificar pressão inflacionária relevante.
“Matematicamente, o petróleo só começa a preocupar em termos de inflação acima dos US$ 85. Hoje o Brent está perto de US$ 71, então ainda há espaço para estresse”, disse.
Na prática, isso significa que o mercado observa o conflito mais como um risco potencial do que como um choque econômico consolidado.
O temor dos investidores está ligado ao histórico recente: choques energéticos costumam contaminar rapidamente expectativas de inflação, afetando juros globais, especialmente nos Estados Unidos e, por consequência, moedas emergentes como o real.
Risco maior é a duração do conflito
Para o economista, o ponto decisivo não é a existência de hostilidades, mas sua duração.
“O que não pode é virar uma novela. Se for temporário, o efeito econômico tende a ser passageiro”, avaliou.
Diferentemente da guerra entre Rússia e Ucrânia, que gerou uma crise energética global, o cenário no Oriente Médio tende a produzir impactos mais rápidos e também mais curtos, justamente pelo alto custo geopolítico de uma escalada prolongada envolvendo grandes potências.
Mercado monitora Ormuz
O principal foco do mercado financeiro internacional é o Estreito de Ormuz. Cerca de um quinto do petróleo comercializado globalmente passa pela rota marítima entre Irã e Omã. Qualquer interrupção logística poderia gerar disparada imediata das cotações.
Mesmo assim, Fares pondera que parte das notícias deve ser interpretada com cautela, já que negociações diplomáticas continuam em paralelo às demonstrações de força.
Segundo ele, a reação do mercado dependerá menos do discurso político e mais de eventos concretos, como ataques a infraestrutura energética ou bloqueios marítimos.
tensão entre EUA e Irã e os impacto para o Brasil
Para o Brasil, um aumento significativo do petróleo teria efeitos mistos:
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melhora a receita de exportação e favorece empresas petrolíferas;
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pressiona combustíveis e inflação doméstica;
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dificulta cortes de juros pelo Banco Central.
Ou seja, a tensão entre EUA e Irã se torna relevante não apenas como tema geopolítico, mas como variável direta na política monetária brasileira.
No curto prazo, porém, o cenário ainda é de cautela. O mercado observa a região com atenção, mas sem precificar um choque energético estrutural.













