O Banco Central divulgou nesta quinta-feira (19) o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) de dezembro, considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB). O indicador caiu 0,20% na comparação mensal, após alta de 0,68% em novembro. O resultado veio melhor do que as expectativas do mercado, que apontavam recuo de 0,40%.
Na comparação anual, a atividade econômica seguiu positiva, indicando que a perda de fôlego no fim do ano ocorreu após um período de crescimento mais forte ao longo de 2025.
Segundo Rodolfo Margato, economista da XP, a leitura surpreendeu marginalmente para cima. “Houve queda de 0,2% na comparação com novembro, enquanto estimávamos contração de 0,5%. Em relação a dezembro de 2024, o índice subiu 3,1%, contra estimativas ao redor de 2,5%”, afirmou.
Prévia do PIB indica crescimento moderado no fim de 2025
Apesar da queda mensal, o desempenho do indicador no trimestre foi positivo. A proxy do PIB avançou 0,4% no quarto trimestre frente ao terceiro trimestre de 2025, com ajuste sazonal, e 1,7% na comparação interanual.
Para a XP, os números ficaram próximos do que deve aparecer no PIB oficial, que será divulgado pelo IBGE no início de março.
“Esses resultados ficaram próximos às nossas projeções para o PIB oficial do período. Nossa estimativa final aponta para alta de 0,1% no quarto trimestre frente ao trimestre imediatamente anterior e crescimento de 1,8% em relação ao quarto trimestre de 2024”, explicou Margato.
No acumulado de 2025, o IBC-Br cresceu 2,45%, levemente acima da projeção de 2,3% para o PIB.
Agropecuária lidera crescimento; indústria perde força
A abertura setorial reforça uma característica marcante da economia brasileira no ano passado: crescimento puxado pelo campo.
De acordo com a XP:
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Agropecuária: +2,8% no 4º trimestre ante o 3º trimestre e quase +4,5% em relação ao mesmo período de 2024; no ano, alta de 13,1%
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Serviços: +0,5% no trimestre e +2,1% em 2025
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Indústria: queda de 0,2% no trimestre, apesar de alta de 1,5% no acumulado anual
O economista destaca que a desaceleração ficou mais concentrada no segundo semestre.
“A atividade econômica teve forte desempenho na primeira metade de 2025 e clara desaceleração depois, especialmente na indústria de transformação, no comércio varejista e em parte do setor de serviços”, afirmou.
O que o dado sinaliza para a economia
O resultado do IBC-Br reforça o cenário que o mercado vinha desenhando: a economia brasileira entrou em desaceleração ao final de 2025, mas sem sinais de contração relevante.
A leitura também tende a ser relevante para a política monetária. Um crescimento mais moderado — porém ainda resiliente — indica que o Banco Central continuará avaliando cuidadosamente o equilíbrio entre inflação e atividade ao calibrar os próximos passos dos juros.
Na prática, o indicador sugere uma economia menos aquecida do que no início do ano passado, porém ainda sustentada por renda, crédito e pelo agronegócio, com possibilidade de retomada gradual já no começo de 2026.













