Ligar a “bola” da Sicília ao “pé” da Itália é um sonho que atravessa milênios. Os romanos já imaginavam uma ponte flutuante de barcos e barris. Agora, a ponte suspensa mais longa do mundo vai se tornar realidade. Com um vão único de 3,3 quilômetros e torres de 400 metros de altura, a estrutura cruzará o Estreito de Messina, resistindo a ventos de 300 km/h e terremotos de magnitude 7,5. O projeto, orçado em 13,5 bilhões de euros, promete transformar a economia do sul da Itália e entra para a história da engenharia.
Qual será o tamanho da nova ponte sobre o Estreito de Messina?
A travessia terá um vão suspenso único de 3,3 km, o maior do planeta, superando a atual recordista na Turquia, que tem 2 km. As duas torres principais atingirão 400 metros de altura, mais altas que muitos arranha-céus europeus. A ponte contará com seis faixas para veículos e duas linhas ferroviárias, integrando definitivamente a ilha ao continente.
O ponto mais estreito do Estreito de Messina, entre a cidade de Messina (Sicília) e Villa San Giovanni (Calábria), tem cerca de 3,1 km de largura, o que torna a localização ideal para o projeto.

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Como a ponte foi projetada para suportar terremotos e ventos extremos?
A engenharia da obra foi pensada para enfrentar as condições severas da região. O projeto especifica resistência a ventos de até 300 km/h e a terremotos de magnitude 7,5. Esses números colocam a estrutura entre as mais seguras e desafiadoras já construídas, garantindo estabilidade mesmo em um dos locais geologicamente mais ativos da Europa.
O consórcio responsável, a Eurolink (liderado pela Webuild), tem experiência em grandes obras e já iniciou o cronograma, com conclusão prevista para 2032. A União Europeia financiará 50% da parte ferroviária, cerca de 25 milhões de euros, como parte do apoio à infraestrutura sustentável, conforme divulgado pela Time Out.

Por que a ideia demorou tanto para sair do papel?
A história da ponte é antiga. Os romanos chegaram a sugerir uma ponte flutuante de barcos e barris há milênios para ligar o “pé” da Itália à sua “bola”. Nos tempos modernos, o projeto foi aprovado e cancelado duas vezes: em 2009 e novamente em 2013, sempre por questões de custo, impacto ambiental e viabilidade técnica.
Desta vez, o governo italiano deu luz verde definitiva em 2025, e os estaleiros começaram a ser montados até o fim de 2024. A persistência do sonho, no entanto, esbarra em críticas que apontam riscos ambientais e o histórico de atrasos em grandes obras italianas.
Qual o custo total da obra e quem vai pagar?
O investimento estimado é de 13,5 bilhões de euros, cerca de R$ 86 bilhões. Esse valor coloca a ponte entre as obras de infraestrutura mais caras da Europa. A tabela abaixo resume os principais números do projeto:
O financiamento da UE para a parte ferroviária (cerca de 25 milhões de euros) é um sinal de apoio, mas a maior parte do custo será coberta pelo consórcio e pelo governo italiano.
Quais os impactos esperados para a Sicília e para a Itália?
A ponte promete ser um divisor de águas para o sul da Itália, região historicamente menos desenvolvida. A expectativa é de:
- Criação de milhares de empregos durante a construção e operação.
- Facilitação do transporte de mercadorias entre a ilha e o continente, reduzindo a dependência de balsas.
- Integração ferroviária que pode dinamizar o turismo e a logística.
- Estímulo à economia local, com novos investimentos e maior acesso a serviços.
Por outro lado, críticos alertam para possíveis danos ambientais ao ecossistema marinho do estreito e para o risco de o projeto sofrer com os mesmos atrasos e estouros de orçamento que marcaram outras obras italianas.
A ponte sobre o Estreito de Messina é a realização de um sonho milenar. Quando ficar pronta em 2032, seus 3,3 km de vão suspenso não serão apenas os maiores do mundo. Serão a prova de que persistência e tecnologia podem superar os desafios mais antigos.

