No deserto do Atacama, no Chile, uma estrutura de 80 metros está tomando forma. O Extremely Large Telescope (ELT) do Observatório Europeu do Sul (ESO) será mais alto que o Cristo Redentor e terá o maior espelho já construído. Quando entrar em operação, por volta de 2028, ele poderá analisar atmosferas de planetas distantes e buscar sinais de vida fora da Terra.
Onde fica o ELT e por que ele é tão alto?
O ELT está sendo construído no Cerro Armazones, no deserto do Atacama, uma das regiões com melhor visibilidade astronômica do planeta. A escolha do local não é por acaso: a altitude, o ar seco e a ausência de poluição luminosa fazem do deserto chileno um dos melhores pontos da Terra para observar o céu.
Sua cúpula terá 80 metros de altura e 93 metros de diâmetro, superando os 38 metros do Cristo Redentor. A altura é necessária para abrigar um espelho primário de 39 metros de diâmetro, composto por 798 segmentos hexagonais. O próprio ESO usa a comparação com o Cristo Redentor para mostrar a magnitude da obra.

O que o ELT vai conseguir observar?
Com um espelho de 39 metros, o ELT terá imagens 15 vezes mais nítidas que as do telescópio Hubble. Sua resolução angular chegará a 0,005 segundo de arco, equivalendo a enxergar detalhes de alguns quilômetros na superfície da Lua. Essa precisão permitirá estudar a composição química das atmosferas de exoplanetas próximos.

Simulações recentes indicam que ele poderá detectar moléculas como água, CO₂, oxigênio e metano em mundos como Proxima Centauri b, a apenas 4,2 anos-luz da Terra. Ele não vai “fotografar” oceanos ou continentes, mas poderá identificar gases que, em combinação, sugerem a presença de vida.
Como o ELT vai procurar vida alienígena?
A busca por vida fora da Terra não significa encontrar marcianos verdes, mas sim detectar bioassinaturas: combinações de gases que, juntos, só poderiam ser produzidos por organismos vivos. O ELT vai analisar a luz que passa pela atmosfera de exoplanetas e decompor seus componentes químicos.
De acordo com estudos divulgados em 2025, o telescópio poderá detectar essas assinaturas em poucas horas de observação para alguns alvos, como TRAPPIST-1. Se houver oxigênio e metano juntos, por exemplo, isso pode ser um forte indicador de atividade biológica.
Os números impressionantes do ELT
Para entender a magnitude do projeto, vale conhecer alguns dados técnicos que colocam o ELT em outro patamar. Suas dimensões e capacidades superam tudo o que já foi construído na história da astronomia.
- Altura da cúpula: 80 m (mais que o dobro do Cristo Redentor).
- Diâmetro do espelho: 39 m (4 vezes maior que o Hubble).
- Número de segmentos: 798, ajustáveis individualmente.
- Resolução angular: 0,005” (15 vezes mais nítido que o Hubble).
- Início das operações: 2028 (previsão).
Quando comparado a outros telescópios e estruturas famosas, o ELT se destaca não apenas pelo tamanho, mas pela inovação tecnológica. A tabela abaixo resume essas comparações:
O que o ELT pode revelar na próxima década?
O cronograma do ELT prevê primeiras observações científicas ainda no final desta década. Isso significa que, nos anos 2030, teremos dados concretos sobre dezenas de exoplanetas. Os alvos prioritários são sistemas estelares próximos, como TRAPPIST-1 e Proxima Centauri, que já mostraram potencial para abrigar planetas rochosos na zona habitável.
Além da busca por vida, o telescópio estudará a formação de estrelas, buracos negros e a expansão do universo. Sua capacidade de coletar luz é tão grande que ele poderá enxergar objetos extremamente distantes e fracos.

Para entender melhor a magnitude da construção, o canal European Southern Observatory (ESO), com mais de 254 mil inscritos, publicou um vídeo mostrando a instalação das portas deslizantes da cúpula. O material detalha os desafios de erguer uma estrutura tão grande em um local remoto:
O que o ELT não vai fazer
É importante esclarecer que o ELT não vai “fotografar a superfície” de planetas como se vê em filmes de ficção científica. As imagens de exoplanetas serão pontos de luz, e a análise será feita principalmente pela decomposição espectral. No entanto, a comparação com o Cristo Redentor é precisa e usada oficialmente pelo ESO.
Mesmo que o telescópio não confirme vida, ele vai nos dizer, pela primeira vez, se planetas como Proxima Centauri b têm atmosferas compatíveis com a existência de organismos vivos. Isso, por si só, já será um marco na história da astronomia.
Uma nova era na busca por mundos habitáveis
O Extremely Large Telescope é o salto mais ambicioso da humanidade para responder a uma pergunta fundamental: estamos sozinhos no universo? Com sua estrutura colossal no deserto do Atacama, ele aponta seus espelhos para as estrelas. Na próxima década, pode nos dar a primeira evidência de que a vida não é exclusividade da Terra.

