A imagem de uma estrada recortando montanhas e penhascos costuma chamar atenção em fotos de viagem. No caso da North Yungas Road, na Bolívia, essa paisagem está diretamente ligada a um histórico de risco: por décadas, esse trecho sinuoso ficou conhecido como “Estrada da Morte” devido à combinação de via estreita, falta de proteção lateral e deslizamentos frequentes, o que a tornou símbolo extremo de perigo e, mais recentemente, de turismo de aventura.
O que torna a North Yungas Road uma estrada tão perigosa?
A North Yungas Road se estende por dezenas de quilômetros em encostas íngremes, com pista de terra estreita e curvas fechadas que exigem manobras cuidadosas. Em muitos trechos, a largura mal permite a passagem de um veículo, sem acostamento e com pouca margem para erros.
O desnível lateral é extremo: de um lado, a montanha; do outro, penhascos com centenas de metros de profundidade, em geral sem guard-rails. Neblina, chuva intensa, lama e quedas de barreira são comuns na região e reduzem a visibilidade, ampliando o potencial de derrapagens e acidentes graves.

Por que a North Yungas Road ficou conhecida como Estrada da Morte?
O apelido “Estrada da Morte” surgiu a partir de um longo histórico de acidentes ao longo do século XX e início dos anos 2000, quando a via era o principal corredor entre La Paz e os vales úmidos dos Yungas. Caminhões, ônibus e carros dividiam uma única pista sem separação física entre sentidos, frequentemente em condições climáticas adversas.
Relatos de veículos que perderam o controle em dias chuvosos, de ônibus que caíram em ravinas e de motoristas obrigados a manobrar à beira do precipício consolidaram sua fama trágica. Estimativas de órgãos locais mencionam centenas de vítimas ao longo das décadas, ainda que muitos casos não tenham registros oficiais completos.
A Estrada da Morte ainda é a rodovia mais perigosa do mundo?
Com a construção de uma rota alternativa mais moderna, parte significativa do tráfego pesado migrou para o novo caminho, com túneis, pavimentação e proteções laterais. Mesmo assim, a antiga North Yungas Road continua sendo citada em listas internacionais como uma das rodovias mais perigosas do mundo.
Atualmente, a via concentra moradores locais e turistas em busca de aventura, principalmente em descidas de bicicleta organizadas por agências especializadas. Para entender melhor os riscos atuais, é importante observar alguns dos perigos mais comuns ao longo do trajeto:
- Trechos estreitos: em vários pontos, dois veículos não conseguem se cruzar com folga.
- Penhascos profundos: quedas potencialmente fatais em caso de saída da pista.
- Condições climáticas: chuva, neblina e lama elevam o risco de derrapagem.
- Deslizamentos: pedras e terra podem bloquear a estrada de forma repentina.
Com mais de 1,4 milhão de visualizações, o vídeo do canal Viajo Porque Preciso mostra como foi a experiência de andar nessa estrada:
Como é percorrer hoje a antiga Estrada da Morte?
Hoje, percorrer a North Yungas Road, seja de bicicleta, seja em veículos de apoio, é quase uma experiência de corredor turístico de aventura. O trajeto costuma começar em altitudes elevadas, com clima frio e ar rarefeito, e termina em zonas mais quentes e úmidas dos Yungas, criando forte contraste de paisagens.
Empresas locais realizam briefing de segurança, verificam freios e capacetes e organizam a descida em grupos, com guias à frente e veículos de apoio atrás. As pausas são feitas em pontos mais largos para descanso e fotos, e o retorno geralmente ocorre pela estrada moderna, considerada mais segura.
Quais cuidados o turista deve ter ao visitar a Estrada da Morte?
Quem se interessa em conhecer a Estrada da Morte precisa ter em mente que, apesar do foco turístico atual, o ambiente continua sendo de alto risco. A combinação de relevo extremo, infraestrutura limitada e clima instável exige preparo físico básico, atenção constante e respeito às orientações dos guias.
Recomenda-se escolher agências com boa reputação, checar a qualidade dos equipamentos, evitar dias de chuva intensa e informar-se previamente sobre seguros e procedimentos de emergência. Assim, é possível viver a experiência de aventura reduzindo, na medida do possível, os perigos envolvidos no percurso.

