Os recentes vazamentos da Polícia Federal muito complicaram a vida do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, a ponto de forçá-lo a sair da relatoria do processo sobre o Banco Master. Mesmo diante de muitas evidências que levantam suspeitas quanto à conduta do juiz, seus colegas de toga soltaram uma nota oficial para tentar preservar a imagem de Toffoli: “Os dez Ministros do Supremo Tribunal Federal, reunidos em 12 de fevereiro de 2026, considerando o contido no processo de número 244 AS, declaram não ser caso de cabimento para a arguição de suspeição [… e] reconhecem, assim, a plena validade dos atos praticados pelo Ministro Dias Toffoli na relatoria da Reclamação n. 88.121 e de todos os processos a ela vinculados por dependência”.
A divulgação dessas informações pela PF foi suficiente para retirar o ministro do cargo. Mas, se olharmos friamente para a gravidade daquilo que foi vazado, o conteúdo seria suficiente até para retirá-lo da corte através de um impeachment. É exatamente isso que procuram fazer, agora, os senadores de direita. Qualquer que seja o final deste episódio, o fato é que Toffoli nunca teve condições de ser o relator deste processo.
Logo no início de sua relatoria, soube-se que ele havia ido ver um jogo de futebol em jatinho particular, no qual estava também um dos advogados de defesa de Daniel Vorcaro. Depois, revelou-se que sua família teria feito negócios com o controlador do Banco Master, outra razão suficiente para colocar o juiz sob suspeição.
Caso este caso tivesse ocorrido na década passada, provavelmente o próprio Toffoli tivesse se declarado impedido. Mas, de lá para cá, o STF passou a se comportar como se estivesse em um patamar moral superior em relação à sociedade brasileira. Esse comportamento arrogante e solar gerou desavenças com outros poderes e a criação de um espírito de corpo sem precedentes, no qual formou-se uma maioria para fortalecer a autoridade da alta corte, que parece ser infinita.
Toffoli repetiu a atitude de alguns pares e, apesar do que já se sabia, garantiu que adotaria uma conduta imparcial no processo. Não foi o que se viu. Logo de saída, tomou uma decisão estapafúrdia, a de declarar sigilo absoluto sobre toda a investigação envolvendo o Master, acatando um pedido da defesa de Daniel Vorcaro. Depois, trabalhou para desmoralizar a atuação do Banco Central, ao orientar um auxiliar a fazer perguntas que pudessem constranger um dos diretores do BC durante acareação.
Somente isso já seria suficiente para afastá-lo do caso. As novas revelações, no entanto, se mostraram contundentes e determinaram sua saída, apesar de a versão oficial do Supremo seja a de que ele tenha deixado a relatoria de livre e espontânea vontade.
A permanência de Toffoli na relatoria do caso Master não apenas comprometeria sua própria imagem, mas arrastaria o Supremo para um abismo de descrédito institucional. Os vazamentos da PF somam-se a episódios anteriores, desvendando um conflito de interesses gritante, que em outro país já teria sido resolvido com impedimento imediato.
Se o STF não agisse com urgência para afastá-lo da relatoria, enfrentaria uma crise de credibilidade sem precedentes, equiparável à Lava Jato em reverso. Toffoli simboliza o STF arrogante, que se coloca acima da sociedade, priorizando espírito de corpo sobre transparência.
A nota do STF mostra que o corporativismo venceu e que a corte protege os seus a qualquer custo, alimentando um ciclo de desconfiança que pode culminar em paralisia legislativa e judicial. Para restaurar um mínimo de confiança ao STF, Toffoli precisaria retirar-se da corte, permitindo que a Justiça avance sem amarras. Caso contrário, o tribunal que se julga supremo arriscará se tornar irrelevante aos olhos da nação.
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