Em entrevista à BM&C News, o advogado Victor Barretta avaliou que a medida teve caráter principalmente institucional.
“Foi uma solução político-institucional até o presente momento para evitar que esse assunto acabe pautando a agenda do Supremo Tribunal Federal.”
Segundo ele, o reconhecimento formal de suspeição teria efeitos muito mais graves. Um julgamento conduzido por ministro considerado impedido poderia gerar questionamentos jurídicos amplos e até responsabilização.
“Julgamentos proferidos por ministros suspeitos podem configurar crime de responsabilidade”, explicou.
Caso Toffoli e STF: investigação do Master continua sob sigilo
Apesar da mudança de relator, a investigação não foi encerrada. O caso permanece na fase de inquérito conduzido pela Polícia Federal. Barretta destacou que essa etapa ainda não é ação penal.
“O inquérito não é uma ação criminal. Está na fase investigativa conduzida pela Polícia Federal.”
De acordo com o procedimento, quando surgem indícios envolvendo autoridade com foro, a PF comunica o Supremo, que decide os próximos passos. O material foi encaminhado à presidência da Corte, atualmente sob análise do ministro Edson Fachin, que poderá remeter o conteúdo à Procuradoria-Geral da República.
A PGR então decidirá se arquiva, solicita novas diligências ou pede abertura formal de investigação.
Novo relator e tentativa de distensão
A relatoria passou ao ministro André Mendonça. Nos bastidores jurídicos, a mudança é vista como tentativa de reduzir questionamentos sobre conflito de interesses.
“A análise política que se faz é que haveria uma atuação mais técnica, tirando o foco de possíveis conflitos de interesse”, afirmou o advogado.
Mesmo assim, especialistas consideram prematuro prever desfechos, já que o processo tramita sob sigilo e ainda há poucas informações públicas.
Caso Toffoli e STF: risco institucional
A maior preocupação não é apenas jurídica, mas institucional. O caso já provocou debate interno sobre regras de conduta dos ministros e sobre a necessidade de um código de ética mais claro dentro do tribunal.
“Um eventual aprofundamento da investigação pode ter consequências extremamente complicadas para o Supremo Tribunal Federal”, disse Barretta.
Ele aponta que, caso sejam confirmadas irregularidades, poderia surgir até discussão sobre responsabilidade de ministros, um cenário inédito na história da Corte.
Nunca houve impeachment de ministro do STF no Brasil, o que amplia a sensibilidade política do tema.
Próximos passos
O andamento dependerá agora de duas decisões:
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Avaliação da presidência do STF sobre os indícios apresentados;
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Manifestação da Procuradoria-Geral da República.
Enquanto isso, a investigação do Banco Master segue em sigilo e deve gerar novos desdobramentos nas próximas semanas. A saída da relatoria, portanto, resolve apenas o aspecto processual imediato, mas não encerra a crise.
“Ainda tem muita coisa para acontecer. Esse assunto certamente terá novos capítulos”, concluiu o advogado.












