A busca por eficiência tecnológica passou a ocupar lugar central nas estratégias corporativas. Durante participação no programa Money Report, da BM&C News, os empresários Sidney Angulo, Ernesto Chayo e Heli Diogo Dourado discutiram inovação, empreendedorismo e, principalmente, um tema cada vez mais relevante para o setor produtivo: otimização de custos na nuvem.
Segundo Heli Diogo Dourado, fundador da empresa de tecnologia voltada à eficiência de infraestrutura digital, muitas companhias ainda não têm dimensão do peso que a computação em nuvem exerce sobre seus balanços.
“O custo de cloud pode ser gigantesco. Na minha empresa anterior, eu gastava quase 40% do faturamento bruto só com nuvem”, afirmou.
O empreendedor explicou que o problema se tornou comum à medida que empresas migraram rapidamente seus sistemas para plataformas digitais sem necessariamente otimizar o uso de recursos computacionais.
Otimização de custos na nuvem: alternativa à cloud tradicional
A solução proposta pelo executivo se baseia em um modelo de computação distribuída. Em vez de concentrar processamento apenas em grandes provedores de data center, a tecnologia utiliza capacidade ociosa de equipamentos conectados à internet.
O sistema funciona por meio da instalação de um software em dispositivos corporativos, permitindo compartilhar processamento em rede.
“Eu uso devices ociosos que a empresa já tem. Cada aparelho faz um pedacinho do processamento e depois juntamos tudo e entregamos o resultado completo”, explicou Dourado.
De acordo com ele, a redução de gastos pode variar conforme o perfil da empresa, mas costuma ser relevante.
“Geralmente conseguimos economias de 30% a 40%”, disse.
O modelo surge como alternativa às ferramentas tradicionais de gestão de gastos em tecnologia. O empreendedor observa que muitas soluções apenas monitoram despesas, mas não resolvem a raiz do problema.
“Tem muita plataforma de FinOps que só mostra onde você gasta, mas não necessariamente corta o custo”, afirmou.
Impacto econômico da tecnologia
A discussão ocorre em um momento em que companhias intensivas em dados. fintechs, marketplaces e aplicativos, enfrentam forte pressão por rentabilidade. O custo crescente de infraestrutura digital tornou-se um dos principais itens operacionais.
Dourado citou empresas globais para ilustrar a magnitude do tema.
“Tem empresas gigantes deficitárias por causa do custo de cloud. É um gasto enorme e contínuo”, afirmou.
Empreender no Brasil ainda é um desafio
Além da tecnologia, o programa abordou o ambiente de negócios brasileiro. Ernesto Chayo, executivo do setor financeiro, destacou que empreender no país exige capacidade constante de adaptação.
“O empreendedor passa boa parte do tempo resolvendo obstáculos do dia a dia”, disse.
Como exemplo, relatou dificuldades enfrentadas na instalação de uma fábrica, incluindo limitações de infraestrutura energética e burocracia operacional.
Já Sidney Angulo, fundador de um complexo empresarial imobiliário em São Paulo, ressaltou a importância da resiliência. Segundo ele, o empreendedor brasileiro precisa lidar com crises recorrentes.
“Empreender no Brasil é construir um muro todo dia e ver alguém derrubar à noite. No dia seguinte você tem que reconstruir”, afirmou.
Empreendedorismo nasce do problema
Os três convidados convergiram em um ponto: muitos negócios surgem da tentativa de resolver uma dificuldade real.
“Todo bom negócio nasce de um problema. Quando você tem um problema concreto, fica mais fácil encontrar uma solução”, disse Dourado.
Para Angulo, a necessidade também foi decisiva em sua trajetória. O empresário afirmou que iniciou sua carreira sem capital e teve de construir o negócio gradualmente até formar um dos maiores complexos empresariais privados da capital paulista.
Eficiência como nova agenda corporativa
A transformação digital elevou a importância da gestão tecnológica dentro das companhias. Se antes a nuvem era vista apenas como solução moderna, agora passou a ser um custo estratégico.
A conclusão dos participantes é que a próxima fase da digitalização será menos sobre adoção e mais sobre eficiência.
“Não basta estar na nuvem. A empresa precisa usar a nuvem de forma inteligente”, afirmou Dourado.












