O mercado financeiro global iniciou 2026 sob uma mudança relevante de regime: o dólar fraco passou a redefinir a forma como investidores precificam risco, alocam portfólios e escolhem geografias para investimento.
Depois de encerrar 2025 com desvalorização próxima de 10% frente a uma cesta de moedas, a pior performance desde a década de 1970, a moeda americana continuou pressionada neste início de ano. O movimento reflete o aumento das tensões comerciais, incertezas fiscais nos Estados Unidos e a expectativa de mudança no ciclo de política monetária do Federal Reserve.
O índice DXY passou a operar próximo dos menores níveis em quase quatro anos. Com isso, investidores globais reduziram posições defensivas e ampliaram a exposição a ativos de maior risco, especialmente em economias emergentes.
No Brasil, o efeito foi imediato. O real apresentou apreciação mais consistente e o dólar comercial passou a oscilar ao redor de R$ 5,20, sustentado pela entrada de capital estrangeiro, melhora relativa do diferencial de juros e reprecificação do risco Brasil.
Dólar fraco reduz custo de capital das empresas
O novo cenário cambial começou a se refletir diretamente na economia real. A queda da moeda americana diminui o custo de financiamento externo, melhora as condições de crédito e permite a retomada de projetos que haviam sido adiados pela volatilidade dos últimos anos.
“A continuidade da queda global do dólar e a valorização do real reduzem o custo de capital e devolvem previsibilidade ao planejamento das empresas”, afirma André Matos, CEO da MA7 Negócios.
Segundo ele, a estabilidade cambial permite reorganização estratégica das companhias.
“Quando o câmbio deixa de ser um fator de estresse, as empresas conseguem reorganizar cronogramas, revisar investimentos e voltar a pensar em crescimento”, explica.
O ambiente favorece setores mais sensíveis a juros e câmbio, como tecnologia, consumo, construção civil, infraestrutura e mercado imobiliário, além de estimular decisões de investimento de longo prazo.
Tarifaço e risco institucional enfraquecem moeda americana
O pano de fundo do dólar fraco está ligado principalmente à política comercial dos Estados Unidos e seus efeitos sobre o fluxo financeiro internacional.
O pacote tarifário adotado pelo governo Donald Trump, com alíquotas que chegaram a 50% sobre produtos de parceiros estratégicos, elevou a percepção de risco institucional da economia americana e acelerou o processo de diversificação cambial por parte de investidores institucionais.
Fundos globais passaram a reduzir exposição ao dólar e a buscar alocação geográfica mais ampla, ampliando posições em mercados emergentes e blocos regionais.
Nesse rearranjo, moedas como o real passaram a capturar parte relevante desses fluxos.
Brasil ganha competitividade internacional
Mesmo com incertezas geopolíticas ainda presentes, analistas avaliam que o dólar fraco inaugura um novo ciclo de competitividade para o Brasil.
O movimento melhora a percepção do país como destino de capital estrangeiro, destrava investimentos e favorece a expansão internacional de empresas brasileiras.
“Esse não é um movimento pontual. Trata-se de uma mudança de regime que pode redesenhar decisões de investimento ao longo de todo o ciclo. Quem entender isso cedo vai capturar oportunidades que não voltam com frequência”, conclui André Matos.












