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Baixou um Richelieu em Sidônio?

Paralelo histórico com Richelieu levanta debate sobre comunicação política, poder interno e disputas de influência no governo federal.

Aluizio Falcão Filho Por Aluizio Falcão Filho
10/02/2026
Em Aluizio Falcão Filho

Armand-Jean du Plessis, mais conhecido como Cardeal Richelieu, foi uma das figuras políticas mais poderosas da França no século 17. Ele viveu de 1585 a 1642 e atuou como primeiro-ministro do rei Luís XIII, tornando-se o grande arquiteto do Estado absolutista francês. Sua principal missão: fortalecer o governo do monarca. Entre suas frases famosas, está a seguinte: “Para governar, não basta agir; é preciso fazer crer”. Temos aqui no Brasil uma espécie de aspirante a Richelieu em Brasília: o ministro da Comunicação, Sidônio Palmeira. Desfrutando de total confiança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ele vem interferindo em várias decisões do governo, sempre tomando como base dados retirados de pesquisas ou trackings eleitorais — e turbinando a comunicação do mandatário.

Segundo reportagem do jornal “O Globo”, Sidônio incomoda seus pares e principais assessores do Planalto. Entre os supostos incomodados estão, por exemplo, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o ex-ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski. No caso de Haddad, o titular da Secom monitorou as redes sociais e convenceu Lula a editar uma medida provisória que revogaria a fiscalização das transações via Pix por parte da Receita Federal. Em relação a Lewandowski, o problema foi relativo à operação policial realizada no Rio de Janeiro que resultou na morte de 122 pessoas. Sidônio sugeriu a criação de uma secretaria vinculada à Casa Civil para cuidar da segurança pública, o que esvaziaria as funções de Lewandowski.

Richelieu usava sua influência sobre dinasta, que era homônimo do presidente brasileiro, para governar de fato e mandava nas demais autoridades. Já Sidônio não tem todo esse poder, mas está sempre palpitando na seara alheia. Responsável pela campanha vitoriosa de Lula em 2022, ele ficará no governo até meados do ano, quando deverá assumir a tarefa de buscar a reeleição petista.

“A ocasião faz o aliado”, dizia o falecido governador Antônio Carlos Magalhães. O ministro, aparentemente, concorda com o político baiano. Recentemente, ele propôs que a solução para a falta de candidatos viáveis do governo em Minas fosse o apoio à candidatura do senador Cleitinho Azevedo – um dos maiores críticos do PT no estado mineiro. As lideranças petistas abafaram a sugestão e atacaram a falta de sensibilidade política de Sidônio: como eles poderiam se associar a um inimigo regional?

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Richelieu podia decidir sozinho porque estava dentro de um sistema em que a vontade do governante se confundia com a do Estado. Sidônio opera em um ambiente completamente diferente. Pesquisas, trackings e métricas ajudam a orientar estratégias, mas não substituem a necessidade de diálogo político, construção de consenso e respeito às fronteiras de cada ministério.

A força de um dado não elimina a autonomia de um colega de governo, nem resolve tensões internas que exigem habilidade e sensibilidade. Richelieu avançava porque nada o contia. Sidônio precisa medir cada passo porque, em uma democracia, influência não equivale a autoridade e nenhum ministro governa sozinho.

*As opiniões transmitidas pelo colunista são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, a opinião da BM&C News.

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