A Biomm, empresa listada na B3 e que tem o empresário Daniel Vorcaro entre seus principais acionistas, passou a ocupar posição relevante e estratégica no fornecimento de insulina ao Sistema Único de Saúde (SUS). A mudança, consolidada a partir de 2025, ocorreu por meio de Parcerias de Desenvolvimento Produtivo (PDPs) firmadas com o governo federal e passou a alterar de forma significativa a cadeia de suprimento de um dos medicamentos mais sensíveis da política pública de saúde.
O reposicionamento da Biomm ocorre em um momento de reorientação da política industrial da saúde, no qual o governo federal passou a utilizar instrumentos como as Parcerias de Desenvolvimento Produtivo para estimular a produção nacional de medicamentos considerados estratégicos.
PDPs mudam modelo de fornecimento ao SUS
Até recentemente, o fornecimento de insulina ao SUS era dominado por multinacionais estrangeiras, como Novo Nordisk, Sanofi e Eli Lilly, por meio de licitações internacionais. Esse modelo, embora amplamente utilizado, expunha o sistema público a riscos cambiais, logísticos e de concentração externa, além de não envolver transferência de tecnologia produtiva ao país.
Com a adoção das PDPs como instrumento central da política industrial da saúde, o governo federal passou a priorizar a produção nacional de biofármacos estratégicos. Nesse arranjo, empresas privadas são selecionadas para atuar em parceria com laboratórios públicos, com previsão de transferência gradual de tecnologia e fornecimento ao SUS ao longo de contratos de médio e longo prazo. Foi nesse contexto que a Biomm passou a integrar a cadeia de fornecimento de insulina em escala relevante.
Estrutura acionária e política pública reposicionam a companhia
Fundada em 2001, a Biomm tem origem no legado da antiga Biobrás, que chegou a ser uma das maiores produtoras de insulina do país antes de ser vendida a um grupo estrangeiro. Durante anos, a companhia concentrou sua atuação em pesquisa, desenvolvimento e estruturação industrial, sem participação expressiva nas compras públicas. Esse cenário começou a se alterar com a reorientação da política de compras do SUS e com mudanças em sua estrutura societária.
Dados públicos indicam que a empresa passou a contar com investidores institucionais e com a participação do braço de investimentos do BNDES, o BNDESPar, o que reforçou seu enquadramento como ativo estratégico no desenho da política industrial da saúde. Daniel Vorcaro figura entre os acionistas relevantes da companhia, ao lado de outros fundos e investidores, conforme informações divulgadas ao mercado.
Modelo amplia debate sobre transparência e fiscalização no SUS
Documentos e estudos sobre políticas industriais na área da saúde indicam que a nacionalização de cadeias estratégicas, como a de medicamentos essenciais, é uma tendência adotada por diversos países, mas que exige mecanismos rigorosos de transparência, acompanhamento contínuo e mitigação de riscos, especialmente quando envolve medicamentos de uso contínuo e alto impacto orçamentário.
As PDPs são instrumentos previstos na política industrial da saúde e têm como base critérios técnicos definidos pelo governo federal, como custo-efetividade, segurança de abastecimento e capacidade produtiva. À medida que o volume de compras públicas cresce e que o modelo se consolida, o debate político e institucional tende a se aprofundar, especialmente em torno de como o Estado escolhe, monitora e fiscaliza seus parceiros em áreas consideradas estratégicas.
O redesenho do fornecimento de insulina ao SUS amplia a relevância institucional do tema à medida que o novo modelo se consolida e passa a ocupar papel estrutural na política de saúde.













