O episódio especial de número 100 do Money Report TV, exibido pela BM&C News e apresentado por Aluizio Falcão, reuniu empresários e especialistas para um debate amplo sobre os desafios do empreendedorismo no Brasil, o papel da liberdade econômica, as transformações no consumo e os impactos do cenário global sobre negócios, tecnologia e políticas públicas.
Participaram do programa Tallis Gomes, fundador da G4 Educação, Lincoln Fracari, CEO da China Link, e Gabriela Lacerda, fundadora da Shantori, marca brasileira de chá espumante premium sem álcool.
Empreendedorismo no Brasil exige adaptação, visão global e resiliência
Ao longo da conversa, os convidados reforçaram que empreender no Brasil exige mais do que inovação: é necessário lidar com instabilidade institucional, custos elevados e ausência de planejamento de longo prazo. Para Lincoln Fracari, sua experiência na China escancarou diferenças estruturais entre economias.
“A China tem algo que o Brasil não consegue sustentar: ordem e planejamento de longo prazo”, afirmou.
Segundo ele, regimes centralizados conseguem executar projetos com continuidade, enquanto democracias frequentemente priorizam agendas de curto prazo.
Fracari relembrou sua trajetória, iniciada com apenas R$ 18 mil em conta, até a criação de um ecossistema global que hoje atende empresas em importação, logística, estrutura fiscal e distribuição.
“Se a empresa não importa, a gente resolve. Se já importa, melhora a eficiência da operação”, explicou.
Consumo consciente e novas oportunidades para o empreendedor
Gabriela Lacerda destacou uma mudança estrutural no comportamento do consumidor, especialmente entre jovens e adultos que reduzem o consumo de álcool e buscam experiências mais sofisticadas e alinhadas ao bem-estar. A Shantori nasceu exatamente dessa lacuna.
“O Brasil carecia de uma bebida não alcoólica com complexidade sensorial, estrutura aromática e experiência de harmonização”, afirmou.
Segundo ela, o chá espumante dialoga com um mercado global em expansão, impulsionado por hábitos mais conscientes.
“O mercado não alcoólico cresceu cerca de 50% no Reino Unido nos últimos anos. Não é uma moda, é uma mudança de comportamento”, disse.
A empresária explicou ainda que o produto utiliza folhas de chá da planta Camellia sinensis, colhidas manualmente, e um método inspirado no processo de espumantes, sem fermentação e sem adição de açúcar.
“O protagonismo é da folha do chá, não de extratos artificiais”, afirmou.
China, Estados Unidos e o novo tabuleiro global dos negócios
O debate avançou para o cenário internacional, com análise do impacto geopolítico sobre o empreendedorismo e os mercados. Fracari comentou os bastidores do Fórum Econômico Mundial e a centralidade do discurso de Donald Trump nas discussões globais.
Segundo ele, o mundo vive uma reversão do globalismo, com países se fechando em grandes blocos econômicos e estratégicos.
“O consenso é que o globalismo falhou. As nações estão voltando a se organizar em polos”, afirmou.
Na avaliação do executivo, ativos estratégicos como terras raras, semicondutores e energia passaram a ditar a lógica da política internacional, com impactos diretos sobre cadeias produtivas, tecnologia e investimentos.
Criatividade, execução e o limite do modelo chinês: o que o empreendedorismo no Brasil pode aprender
Tallis Gomes trouxe uma visão crítica sobre o modelo chinês de desenvolvimento. Para ele, a China se destaca pela execução e escala, mas enfrenta limites quando o assunto é criatividade.
“A China não cria do zero. Ela copia muito bem e melhora rápido. Leva de um para cem mais rápido que qualquer país, mas dificilmente vai de zero para um”, afirmou.
Segundo Gomes, ambientes com excesso de controle reduzem a capacidade de questionamento, elemento essencial para inovação disruptiva.
“A criatividade nasce do questionamento, e isso é limitado em sistemas muito rígidos”, disse.
Qualidade do gasto público entra no radar do empreendedor
Além do ambiente privado, o programa também abordou o papel do Estado no desenvolvimento econômico. Gabriela Lacerda apresentou sua atuação acadêmica no Insper, onde coordena a criação de um observatório de qualidade do gasto público.
“A discussão no Brasil não pode ser apenas quanto se gasta, mas como se gasta”, afirmou.
Segundo ela, a falta de avaliação de políticas públicas compromete eficiência, crescimento e competitividade.
Tallis Gomes reforçou a crítica ao desperdício estatal.
“O governo gasta o dinheiro dos outros com os outros. É a pior forma de alocação possível”, disse.
Empreendedorismo como motor do desenvolvimento
O consenso entre os participantes foi claro: o empreendedorismo no Brasil segue sendo um dos principais motores de geração de riqueza, inovação e mobilidade social, mesmo em um ambiente desafiador.
“O empresário brasileiro opera sob pressão constante, mas continua criando, investindo e inovando”, resumiu Fracari.
Para Gomes, fortalecer o empreendedor passa necessariamente por mais liberdade econômica, previsibilidade institucional e foco em resultados.
Ao final do programa, a mensagem central foi direta: sem um ambiente que respeite o empreendedor, estimule a inovação e discipline o gasto público, o crescimento sustentável seguirá comprometido.













