A Magic Roundabout em Swindon é considerada uma das interseções mais complexas e assustadoras do mundo. Inaugurada em 1972, ela desafia a lógica viária tradicional ao combinar cinco mini-rotatórias em torno de um sexto círculo central, criando um quebra-cabeça de asfalto para os motoristas.
O design contra-intuitivo

O projeto revolucionário do engenheiro Frank Blackmore consiste em um anel central onde o trânsito flui no sentido anti-horário (o oposto do padrão britânico). Ao redor dele, cinco mini-rotatórias satélites giram no sentido horário, permitindo múltiplos caminhos para o mesmo destino.
Essa configuração cria uma fluidez impressionante, pois o motorista pode escolher a rota mais curta ou menos congestionada para atravessar o cruzamento. Apesar de parecer uma anarquia vista de cima, o sistema obriga os condutores a diminuírem a velocidade e prestarem atenção redobrada.
Caos organizado e eficiente
Estudos de tráfego mostram que a Magic Roundabout tem uma capacidade de fluxo superior à de semáforos tradicionais. Ela consegue processar milhares de veículos por hora sem gerar os longos engarrafamentos comuns em cruzamentos de vias arteriais importantes como a Drove Road.
A ausência de luzes de parada mantém os carros em movimento constante, reduzindo o tempo de espera.
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Fluxo: O trânsito nunca para totalmente, apenas desacelera.
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Escolha: O motorista decide se cruza pelo meio ou contorna pelas bordas.
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Capacidade: Suporta até 6.200 veículos por hora em horários de pico.
Segurança estatística surpreendente
Apesar da fama de perigosa, a rotatória possui um histórico de segurança excelente. A confusão visual atua como um mecanismo de segurança passiva, pois os motoristas, intimidados pelo layout, dirigem com muito mais cautela e em velocidades baixíssimas.
Para aprofundar seu conhecimento sobre engenharia de tráfego e soluções urbanas curiosas, selecionamos o conteúdo do canal WIRED. No vídeo a seguir, os especialistas detalham visualmente como funciona a famosa “Rotatória Mágica” de Swindon, na Inglaterra, que interliga sete rotatórias em uma só:
Os acidentes que ocorrem são geralmente pequenas batidas de para-choque (“fender benders”) sem vítimas graves. A geometria da via impede colisões laterais em alta velocidade (T-bone), que são as mais letais em cruzamentos convencionais.
O pesadelo dos turistas
Enquanto os moradores de Swindon navegam pelo complexo com facilidade, turistas e caminhoneiros costumam entrar em pânico. É comum ver carros parados no meio das mini-rotatórias enquanto os motoristas tentam entender qual seta dar ou para onde olhar.
A regra de ouro é tratar cada mini-rotatória como um evento isolado. O motorista deve ceder a passagem para quem vem da direita em cada um dos cinco pontos, ignorando a complexidade macroscópica do “anel mágico” para não travar mentalmente.
Um ícone britânico
A rotatória tornou-se uma atração turística improvável e um ícone da cultura pop britânica, aparecendo em programas de TV e camisetas. Ela representa a excentricidade da engenharia do Reino Unido dos anos 70, que priorizava a funcionalidade matemática sobre a simplicidade estética.
O Departamento de Transportes manteve o design original por mais de 50 anos, provando sua eficácia. Ela é a prova de que, às vezes, complicar o design pode simplificar o fluxo, desde que os motoristas cooperem entre si.
Entenda o fluxo dos anéis para não entrar na contramão:
Anti-Horário
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Saiba mais no guia de turismo de Visit Swindon.

