O ensino superior tradicional entrou em uma inflexão relevante, que deve avançar ao longo de 2026, impulsionada pela procura crescente por caminhos profissionais mais curtos, aplicados e alinhados às necessidades reais das empresas. A expansão dos modelos imersivos, que avançaram cerca de quarenta por cento em 2025, revela uma mudança estrutural já visível nas escolhas de matrícula e no comportamento do mercado empregador. Pesam nesse movimento fatores como o encarecimento das mensalidades, a valorização da experiência prática nos processos seletivos e a demanda por capacitação acelerada, que cresce acima de trinta e cinco por cento ao ano em mercados latino-americanos. A pressão por retorno financeiro mais rápido, somada à defasagem de currículos frente às transformações tecnológicas, tem direcionado profissionais para formações mais curtas, orientadas a projetos, tecnologia e contato direto com especialistas. Esse rearranjo reposiciona os programas imersivos como alternativa competitiva em um mercado que exige atualização constante.
O avanço desse modelo também ganha força em um ambiente econômico que impõe escolhas mais racionais de carreira. Com renda pressionada, crédito caro e maior disputa por vagas qualificadas, jovens e profissionais em transição passaram a buscar trajetórias que combinem aprendizado consistente e previsibilidade de retorno. Cursos práticos e programas de curta duração passaram a operar como uma segunda via de qualificação, não em oposição à universidade, mas como ponte para reduzir a distância entre formação e empregabilidade. “Os jovens não estão rejeitando a educação, estão rejeitando modelos que não oferecem clareza de trajetória. Eles querem aprender de forma aplicada e enxergar resultado desde o primeiro mês”, afirma Theo Braga, CEO da SME The New Economy. Para ele, trata-se menos de ruptura e mais de ajuste a um mercado que cobra atualização permanente e capacidade real de execução.
A aceleração tecnológica aprofundou o descompasso entre teoria e prática e elevou a pressão sobre empresas e profissionais. Enquanto currículos tradicionais seguem ciclos longos de revisão, o mercado se reorganiza trimestre a trimestre, especialmente em áreas como inteligência artificial, dados, produto digital, operações e liderança. Como resposta, grandes corporações e empresas de alto crescimento intensificaram investimentos em academias internas, certificações próprias e programas focados em prática, priorizando profissionais com histórico comprovado de entrega. O diploma segue relevante, mas deixou de atuar sozinho como passaporte profissional. A capacidade de executar, resolver problemas concretos e operar ferramentas de alto impacto passou a pesar mais nas decisões de contratação.
Esse contexto ajuda a explicar o crescimento consistente de plataformas educacionais de nova geração nos últimos anos. Elas combinam comunidade ativa, mentoria com profissionais de mercado, prática contínua e projetos reais, aproximando a experiência educacional do ambiente corporativo desde o início. Para os próximos anos, a tendência é a consolidação de modelos híbridos, que integrem fundamentos sólidos, prática recorrente e aprendizado guiado pelas demandas do mercado. “O Brasil entra em um ciclo em que habilidade aplicada, domínio tecnológico e capacidade de adaptação definem competitividade. Quem oferecer clareza de caminho, relevância e resultado concreto em curto prazo vai liderar o futuro da educação”, afirma Theo Braga. A transformação deixou de ser hipótese e já se impõe como processo em curso, movido por necessidade econômica, exigência empresarial e uma nova leitura sobre o que, de fato, prepara profissionais para competir na economia digital.
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