O programa Money Report, da BM&C News, recebeu Ticiana Villas Boas, fundadora da 55 Design, Thaya Marcondes, CEO da LBN Hub, e Paulo Hime Funari, presidente da Associação Projeto Gaus, para um debate sobre os desafios do empreendedorismo no Brasil, a transformação do mercado de luxo e o papel da filantropia na educação.
A conversa, mediada por Aluizio Falcão, teve como ponto central a transição de carreiras tradicionais para modelos empresariais e os impactos práticos dessa mudança, especialmente em um ambiente marcado por alta carga tributária, burocracia e necessidade de gestão profissional.
Empreendedorismo no Brasil exige mais do que vocação
Ao relatar a mudança do jornalismo para o setor de design, Ticiana destacou que a principal dificuldade não está na criação, mas na estrutura operacional.
“Agora, como empresária, tenho que entender do setor tributário, de finanças, de investimento, de contratação e de gestão”, afirmou.
Segundo ela, o empreendedorismo no Brasil impõe um aprendizado acelerado em áreas que não fazem parte da formação tradicional de profissionais da comunicação e da economia criativa.
Na mesma linha, Thaya Marcondes ressaltou que atuar em diferentes países amplia ainda mais a complexidade do negócio.
“Cada país tem as suas regras, seus tributos e seus impostos. No Brasil, é essencial ter um bom contador e um bom advogado, porque é um ambiente desafiador para quem quer inovar”, disse.
Luxo migra de produto para experiência
No debate sobre consumo, Thaya apontou uma mudança estrutural no mercado de luxo, com redução da centralidade do produto e aumento da busca por experiências.
“Hoje, quem tem alto poder aquisitivo está cada vez mais focado em experiências, viagens, wellness e vivências, e não apenas na posse de bens”, afirmou.
Ela também destacou diferenças culturais: enquanto na Europa predomina o consumo associado a tradição e herança (“old money”), na América Latina ainda há forte vínculo entre luxo e status social.
Filantropia e a desconfiança no Brasil
Representando o terceiro setor, Paulo Funari trouxe uma análise sobre a baixa cultura de doação no país e os entraves para a profissionalização das ONGs.
“No Brasil existe uma grande desconfiança em relação ao uso dos recursos, o que limita a disposição das pessoas em doar”, disse.
Segundo ele, há também uma visão equivocada de que organizações sociais devem operar apenas com trabalho voluntário.
“Existe uma cultura de associar terceiro setor a baixo investimento, quando na prática projetos de educação, por exemplo, têm custos elevados e precisam de gestão profissional.”
Empreendedorismo em foco e a educação como vetor
Funari defendeu que a educação é o principal instrumento de transformação social e que pequenas intervenções podem gerar impacto estrutural.
“Às vezes é uma questão de R$ 200 ou R$ 300 por mês para um jovem deixar de ser caixa de supermercado e se tornar um profissional qualificado”, afirmou.
O debate convergiu para a ideia de que tanto no setor privado quanto no terceiro setor, empreender exige capacidade de gestão, comunicação e venda, além de visão de longo prazo e credibilidade institucional.













