Em uma resposta sem precedentes ao colapso ambiental, a Etiópia paralisou suas atividades rotineiras para uma missão de sobrevivência. O resultado foi histórico: mais de 350 milhões de árvores plantadas em um único dia, marcando o início de uma nova era no combate à desertificação global e demonstrando força logística.
Como o governo organizou o feriado para o plantio em massa?
A administração etíope não tratou a data como um evento comemorativo, mas como uma operação tática de defesa do território. Escritórios governamentais fecharam, escolas suspenderam as aulas e o comércio baixou as portas para liberar a população. O objetivo era integrar um exército de voluntários dedicado exclusivamente à recuperação do solo.
A logística envolveu o deslocamento de milhões de cidadãos para mil locais estratégicos previamente mapeados em todo o país. Diferente de ações isoladas, essa operação integra a Iniciativa Legado Verde (Green Legacy Initiative), liderada pelo Primeiro-Ministro Abiy Ahmed, que uniu agricultores, diplomatas e estudantes em um propósito comum de restauração.

Ritmo de 29 milhões de mudas por hora superou recorde da Índia
Os números alcançados pela Etiópia redefiniram o que é humanamente possível em termos de engenharia florestal participativa. Para dimensionar o feito, vale comparar com a marca anterior que pertencia à Índia, onde voluntários plantaram cerca de 66 milhões de árvores em 12 horas no ano de 2017.
A Etiópia ultrapassou essa marca com uma margem avassaladora. Segundo dados reportados pelo governo, o país manteve uma média de quase 29 milhões de mudas por hora. A validação internacional desses esforços é acompanhada por entidades globais; o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP) destacou a iniciativa como um passo crucial para a restauração de ecossistemas degradados.
Qual o impacto da erosão histórica na agricultura local?
A urgência da Etiópia não é estética, mas sim uma crise de erosão e seca que ameaça diretamente a produção de alimentos e a economia. Estudos históricos apontam um cenário alarmante sobre a redução drástica da cobertura florestal da nação ao longo do último século:
| Período | Cobertura Florestal (% do território) | Consequência Observada |
|---|---|---|
| Início do Século XX | 35% | Equilíbrio ecológico e solo fértil |
| Anos 2000 | 4% | Erosão severa e insegurança alimentar |
Para recuperar o solo perdido, a estratégia de reflorestamento em massa atua como uma barreira física necessária contra o vento e a água. As raízes ajudam a reter nutrientes essenciais, garantindo que a agricultura familiar possa resistir aos extremos climáticos cada vez mais frequentes na região.

Monitoramento internacional validou a escala da operação
A mobilização etíope provou que é possível alinhar vontade política e participação popular em grande escala. Veículos de imprensa internacionais documentaram a movimentação em massa, validando o esforço logístico que ocupou campos e encostas áridas para o plantio simultâneo.
Canais globais como a BBC e a DW registraram como a população se organizou para atingir a meta em tempo recorde. Essa visibilidade externa foi fundamental para confirmar a magnitude do evento, mostrando ao mundo imagens de milhares de pessoas trabalhando unidas para transformar a paisagem árida em áreas produtivas.
No vídeo a seguir do perfil no Facebook da DW Brasil, com mais de 800 mil seguidores, foi documentado um pouco dessa trajetoria que mudou o país:
O que a Etiópia planeja após atingir a meta inicial?
Os 350 milhões de árvores plantadas em 12 horas funcionaram apenas como o marco inicial de um projeto muito maior e de longo prazo. Naquele ano específico, a meta da campanha era atingir o plantio de 4 bilhões de árvores até o encerramento da estação chuvosa.
Essa escala de intervenção visa criar um verdadeiro “Muro Verde” capaz de frear o avanço do deserto e sequestrar carbono da atmosfera. Ao transformar o reflorestamento em política de estado, a Etiópia sinaliza ao mundo que a solução mais eficiente para combater o aquecimento global ainda é a natureza, desde que haja mobilização coordenada para ativá-la.

