O mercado financeiro global começa a sexta-feira (30) sob um conjunto de eventos de alto impacto, com a política monetária dos Estados Unidos no centro das atenções, tensões geopolíticas no radar e sinais mistos vindos do setor de tecnologia e das commodities.
O principal catalisador do dia é o anúncio, prometido para esta manhã, do sucessor de Jerome Powell no comando do Federal Reserve. O presidente Donald Trump afirmou que divulgará o nome do novo chairman, que assumirá o cargo a partir de maio, quando se encerra o mandato de Powell.
Mercado aposta em nome de Kevin Warsh
Nas apostas de mercado, Kevin Warsh aparece como favorito isolado para o posto, com ampla vantagem sobre Rick Rieder e Christopher Waller. A expectativa é de que a decisão provoque movimentos relevantes nos rendimentos dos Treasuries, no dólar e nas bolsas globais ainda nesta sessão.
Além do Fed, o cenário fiscal americano também entrou no radar. A Casa Branca fechou um acordo provisório com os democratas no Senado para evitar a paralisação do governo federal a partir deste sábado. O texto garante financiamento por duas semanas e reabre negociações sobre temas sensíveis, como imigração e o papel do ICE, o serviço de imigração dos Estados Unidos.
Cenário geopolítico no radar
No campo geopolítico, novas medidas de caráter protecionista e diplomático adicionam volatilidade ao ambiente internacional. Trump assinou uma ordem para impor tarifas a países que comercializam petróleo com Cuba, elevando a pressão econômica sobre a ilha. Em outra frente, o governo americano ameaçou aplicar uma tarifa de 50% sobre aeronaves exportadas pelo Canadá aos Estados Unidos.
A retórica também se intensificou em relação ao Irã, com aliados dos EUA alertando para riscos de desestabilização regional. Já no leste europeu, há sinais pontuais de alívio: o presidente russo Vladimir Putin teria concordado com uma pausa temporária nos bombardeios à Ucrânia, em meio a uma forte onda de frio.
Tecnologia no centro das atenções
No setor de tecnologia, a Apple divulgou um balanço acima das expectativas, mas acendeu um sinal de alerta ao mencionar pressão de custos e margens. A sinalização negativa derrubou as ações no after hours e contaminou os futuros das bolsas americanas. O episódio reacendeu o debate sobre a sustentabilidade dos investimentos bilionários em inteligência artificial e o retorno efetivo desses aportes no lucro das big techs.
A agenda de balanços desta sexta inclui nomes de peso como Chevron, Exxon Mobil, American Express e Verizon, todos antes da abertura de Nova York.
Indicadores do dia
No campo dos indicadores, o destaque nos Estados Unidos é o PPI, a inflação ao produtor, divulgado às 10h30, que pode influenciar diretamente as apostas sobre o timing dos cortes de juros pelo Fed. Também estão no radar os índices PMI do ISM e de Chicago, além do número de plataformas de petróleo da Baker Hughes.
Na Europa, investidores acompanham dados de PIB do quarto trimestre em diferentes países, o CPI da Alemanha e a taxa de desemprego da zona do euro.
No Brasil, a agenda doméstica começa cedo com o resultado primário do setor público, às 8h30, seguido pela divulgação da Pnad Contínua, às 9h, que pode mostrar uma nova mínima histórica para a taxa de desemprego, próxima de 5,1%. O mercado também acompanha a formação da PTAX e o leilão de swap cambial do Banco Central.
Mercado de monitora política monetária
No campo da política monetária, o consenso segue apontando para um corte inicial de 0,50 ponto percentual da Selic já em março, com os dados de atividade e mercado de trabalho sendo determinantes para calibrar o ritmo do ciclo de afrouxamento.
Com esse conjunto de eventos, o pregão desta sexta tende a ser guiado por decisões de política monetária, dados de inflação e ruídos geopolíticos, em um ambiente de elevada sensibilidade a manchetes e mudanças rápidas de narrativa.













