No coração da província de Guizhou, na China, o Shuizu e outras etnias convivem com a força brutal do Huangguoshu, o maior conjunto de cascatas da Ásia. Com 77,8 metros de altura e uma largura impressionante de 101 metros, esta maravilha natural não é apenas um fluxo de água, mas o centro de um ecossistema cárstico único.
Por que é que este local é considerado um ícone cultural chinês
A cascata Doupotang, uma das seções mais largas do complexo, ganhou fama eterna ao servir de cenário para a série televisiva “Jornada ao Oeste”, uma das obras mais importantes da mitologia chinesa. A imagem das águas a cair tornou-se tão emblemática que a marca Huangguoshu estampa desde livros escolares até maços de cigarros locais.
O local é reverenciado não apenas pela sua beleza, mas pela sua presença cultural, sendo um ponto de referência geográfica conhecido por quase toda a população do país. O funcionamento do turismo na região é intenso, recomendando-se visitas antes das 7h00 ou após as 16h00 para evitar as multidões que procuram este postal vivo.

Como o relevo cárstico amplifica a força das águas
A região de Anshun é caracterizada por uma paisagem cárstica típica, onde a rocha calcária é dissolvida pela água ao longo de milênios, criando falésias abruptas e cavernas ocultas. Durante a estação das cheias, entre maio e setembro, o volume de água atinge níveis históricos, transformando o vale num caldeirão de vapor e ruído ensurdecedor.
Este fenômeno geológico permite que a água não apenas caia, mas crie cortinas densas que mudam a atmosfera ao redor, gerando microclimas úmidos. Abaixo, destacamos os elementos técnicos que tornam esta paisagem uma obra de engenharia natural:
- A Caverna da Cortina de Água, que permite aos visitantes caminharem por trás da queda d’água (fechada em cheias extremas).
- A largura de 101 metros, que classifica a cascata como uma das mais largas do continente.
- A presença de plataformas de observação desenhadas para resistir à erosão constante da névoa.
- Um sistema de escadarias que permite descer até a base, onde o impacto da água cria ventos fortes.
O mistério da igreja cristã à beira do abismo
Numa região dominada historicamente pelo budismo e por crenças locais, a presença de uma igreja cristã solitária junto à cascata surpreende os visitantes. A construção permanece de pé, enfrentando o rugido constante das águas que, segundo relatos, torna o sono difícil para quem lá habita.
A existência deste templo num local tão inóspito e barulhento levanta questões sobre o isolamento e a fé em ambientes extremos. A estrutura serve como um contraponto silencioso (ou nem tanto) à força da natureza que ruge a poucos metros das suas paredes.
Como a segurança gere o nível histórico das cheias?
Em períodos de chuva intensa, como os registrados recentemente, o nível da água pode atingir marcas históricas, obrigando ao encerramento de atrações famosas como a passagem por trás da cortina de água. A segurança torna-se a prioridade, pois a força do fluxo é capaz de gerar correntes de ar e projeções de água perigosas para os turistas.
Para entender melhor este fato, o canal Travel East produziu um conteúdo onde o autor detalha os pontos principais desta visita sob tempestade. O vídeo captura o momento em que raios e trovões se misturam com o som da cascata, criando um cenário quase apocalíptico.
Como chegar vindo do Brasil?
🌏 Brasil ➝ Huangguoshu
Guia de viagem para a maior cachoeira da Ásia
Chegando na China
Não há voos diretos. A melhor rota é sair de GRU/GIG via Europa ou Oriente Médio (Doha/Dubai) até Pequim (PEK), Xangai (PVG) ou Guangzhou (CAN).
🛬
Voo para Guiyang (KWE)
Do seu ponto de entrada na China, pegue um voo doméstico para Guiyang Longdongbao (KWE), a capital da província de Guizhou.
🚅
Guiyang ➝ Anshun
Pegue o trem-bala na estação Guiyang North até Anshun West. A viagem é rápida (~30 min) e cênica.
🚌
Bus para o Parque
Na estação de Anshun West, existem ônibus diretos para a bilheteria do parque. O trajeto dura cerca de 40 a 60 minutos.
Conhecer o Huangguoshu é testemunhar a potência hidrológica da China profunda. O entendimento sobre como a geografia cárstica molda estes monumentos líquidos é essencial para apreciarmos a diversidade natural do planeta.

