A aquisição de 90% da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Esporte Clube Bahia pelo City Football Group oficializou a entrada definitiva de um dos homens mais ricos do mundo no futebol nacional. O conglomerado, liderado pelo sheik Mansour bin Zayed Al Nahyan, membro da família real de Abu Dhabi, já transformou a gestão esportiva no Nordeste com um aporte histórico.
Quem é o bilionário que assumiu o controle do clube?
Mansour não é apenas um investidor esportivo, mas uma figura central na geopolítica e economia do Oriente Médio. Como vice-primeiro-ministro dos Emirados Árabes Unidos e administrador de fundos soberanos, sua fortuna pessoal é estimada entre 17 e 30 bilhões de dólares, proveniente majoritariamente do setor petrolífero e de seus holdings em Abu Dhabi.
O portfólio de negócios do sheik ultrapassa as quatro linhas dos gramados. Seu histórico de investimentos inclui participações em setores de alta performance e luxo, como a Ferrari, validando a robustez financeira que hoje dá suporte ao clube brasileiro.

Como está sendo aplicado o aporte de R$ 1 bilhão?
O valor anunciado na época da compra não funcionou como uma doação, mas sim como um plano de negócios estruturado para 15 anos que já está em execução. O montante de R$ 1 bilhão, o maior da história do futebol nordestino, teve seus destinos carimbados para garantir a solvência e a competitividade da equipe a longo prazo.
A divisão do capital seguiu uma lógica corporativa rigorosa para sanar o passivo do clube e, simultaneamente, injetar capacidade de compra. A estratégia financeira foi desenhada da seguinte forma:
| Destino do Recurso | Valor Aproximado | Objetivo Estratégico |
|---|---|---|
| Compra de jogadores | Mínimo de R$ 500 milhões | Montagem de elencos competitivos |
| Pagamento de Dívidas | R$ 300 milhões | Zerar o passivo histórico do clube |
| Infraestrutura e Base | R$ 200 milhões | Capital de giro, CT e categorias de base |
O impacto real de integrar a rede do City Football Group
Ao entrar para o portfólio do City Football Group, o Bahia deixou de ser apenas um clube regional e se tornou uma peça fundamental em um tabuleiro global. A equipe hoje atua como “irmã” de potências como o Manchester City (Inglaterra), Girona (Espanha) e New York City FC (EUA).
Essa conexão direta criou um corredor de exportação de talentos já ativo. Jogadores revelados na base tricolor entram imediatamente no radar das equipes europeias do grupo, facilitando transações e valorizando o passe dos atletas formados em Salvador.

Choque de gestão e contratações que mudaram o patamar
A mudança de nível ficou visível na rotina administrativa. O modelo de gestão implementado substituiu a instabilidade política, comum aos clubes associativos, por um profissionalismo empresarial que garantiu salários em dia e planejamento de carreira.
A contratação de destaques como o meia Everton Ribeiro, ex-Flamengo, em 2024, comprovou que o clube buscou protagonismo esportivo imediato, afastando a ideia de que serviria apenas para lucro financeiro com a revenda de promessas da base.
O legado do capital estrangeiro no futebol brasileiro
A operação liderada por Mansour bin Zayed Al Nahyan colocou o futebol brasileiro na rota dos grandes fundos soberanos internacionais. O caso do Bahia serviu como o principal laboratório para esse novo modelo de negócio, provando que a injeção de capital externo, aliada a uma gestão técnica, conseguiu redefinir as forças do campeonato nacional.

