Esqueça a safira e o diamante por um momento. O Lápis-Lazúli é uma rocha metamórfica de cor azul profunda que, moída, se transformou no pigmento mais valioso da história da arte, usado para pintar os mantos da Renascença e os olhos dos faraós.
Por que ele era mais caro que o ouro?
Durante o Renascimento, o Lápis-Lazúli era a única fonte do pigmento “azul ultramarino”. Ele precisava ser importado das montanhas do Afeganistão (de onde vem o nome “ultramarino”, ou “além do mar”). O processo de extração e purificação era tão difícil e a rota tão longa que o pigmento custava mais que o ouro.

Artistas como Michelangelo e Vermeer guardavam esse azul apenas para as partes mais sagradas ou importantes de suas pinturas, como o manto da Virgem Maria ou o turbante na obra “Moça com Brinco de Pérola”.
Onde essa pedra é encontrada?
As minas de Sar-i Sang, no Afeganistão, são as mais antigas e famosas, operando há mais de 6.000 anos. Outras jazidas importantes estão localizadas no Chile (onde é a pedra nacional) e na Rússia.
Para explorar o fascinante misticismo e as propriedades de uma pedra histórica, selecionamos o conteúdo do canal Kristaloterapia. No vídeo a seguir, você conhecerá curiosidades e fatos sobre o Lápis Lazúli, revelando sua importância desde o Antigo Egito até seu uso atual na cristaloterapia:
Diferente de minerais simples, o Lápis é uma rocha composta por vários minerais: a lazurita (que dá o azul), a calcita (veios brancos) e a pirita (pontos dourados). A presença da pirita é valorizada, pois faz a pedra parecer um céu estrelado.
Componentes do Lápis-Lazúli:
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Lazurita: O azul intenso principal.
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Pirita: Inclusões douradas metálicas.
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Calcita: Veios brancos (em excesso, desvaloriza a pedra).
Como saber se o Lápis-Lazúli é verdadeiro?
Muitas imitações, como a sodalita ou vidro tingido, são vendidas como Lápis. O verdadeiro Lápis-Lazúli deve ter pontos de pirita dourada e não deve desbotar se limpo com acetona (o que indicaria tingimento).
No Brasil, o comércio de gemas é acompanhado pelo IBGM (Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos), que oferece diretrizes para identificação. É uma pedra semipreciosa acessível hoje, mas que carrega uma história de realeza.
A química moderna democratizou a cor, mas a pedra natural mantém seu valor. Veja a comparação:
🔵 A Guerra dos Azuis
Lápis-Lazúli (Natural)
- Origem: Minas do Afeganistão.
- Preço: Altíssimo (Joalheria).
- Uso: Restauro de arte e joias.
Ultramarino Sintético
- Origem: Laboratório (1826).
- Preço: Acessível.
- Uso: Tintas escolares e indústria.
A invenção que quebrou o monopólio
O reinado absoluto do Lápis-Lazúli terminou em 1826, quando um químico francês criou o azul ultramarino sintético. A versão de laboratório era quimicamente idêntica e custava uma fração do preço.
Hoje, a pedra natural voltou a ser usada principalmente como gema em joalheria. No entanto, ao visitar museus, o brilho intenso nos quadros antigos revela onde o pó da pedra afegã foi aplicado há 500 anos. Veja a coleção de minerais no Met Museum.

