O dólar fraco tem alterado de forma relevante o comportamento do investidor global em 2026. Em meio ao aumento das tensões geopolíticas e à maior incerteza sobre a política econômica dos Estados Unidos, gestores passaram a reduzir marginalmente a exposição ao mercado americano e a buscar maior diversificação internacional.
Segundo William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, esse movimento não representa uma saída estrutural dos Estados Unidos, mas sim um ajuste de portfólio que, pelo tamanho das carteiras globais, gera impactos expressivos nos fluxos de capital. Para o estrategista, uma realocação de apenas 5% das carteiras globais já é suficiente para provocar movimentos relevantes em mercados emergentes.
“Esse pequeno percentual consegue catapultar bolsas como Brasil, México e Coreia do Sul”, afirma.
Dólar fraco impulsiona fluxo e muda composição das carteiras
No Brasil, o efeito é visível. Apenas em janeiro, a entrada de capital estrangeiro na B3 já ultrapassou R$ 12 bilhões, refletindo um processo de recuperação relativa da Bolsa brasileira, que havia ficado para trás em relação a outros mercados no ano anterior.
Além da realocação internacional, o dólar fraco também impulsiona uma rotação dentro do próprio mercado americano. O capital que permanece nos Estados Unidos vem migrando das grandes empresas de tecnologia para setores como small caps, empresas de valor e biotecnologia.
Na avaliação de Castro Alves, as chamadas big techs chegaram a níveis de valuation elevados e agora enfrentam maior ceticismo dos investidores.
“O mercado cansou de pagar tudo na frente e quer ver entrega real dos investimentos em inteligência artificial”, diz.
Menos concentração, mais equilíbrio global
Com isso, o S&P 500 segue próximo das máximas históricas, mas sem novos rompimentos, justamente pela redução do peso relativo das gigantes de tecnologia.
Outro destaque do cenário é o ouro, que voltou a ganhar espaço como ativo de proteção. A combinação entre dólar fraco e maior incerteza global reforça a busca por instrumentos de hedge nas carteiras institucionais.
Apesar da rotação, o estrategista ressalta que os Estados Unidos seguem como principal polo de investimentos no mundo.
“Não dá para apostar contra os EUA. O movimento atual é de diversificação, não de abandono”, conclui.
No novo equilíbrio, o dólar fraco funciona como catalisador de uma lógica mais distribuída: menos concentração, mais emergentes e um mercado global menos dependente das big techs.













