O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) subiu 0,5 ponto em janeiro de 2026, alcançando 48,5 pontos, segundo levantamento divulgado nesta quarta-feira (21) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Apesar da leve alta em relação a dezembro, o indicador segue abaixo da linha de 50 pontos, patamar que separa confiança de pessimismo, e registra o pior resultado para um mês de janeiro nos últimos dez anos.
A última vez que o ICEI apresentou um nível tão baixo no início do ano foi em janeiro de 2016, durante a recessão econômica, quando o índice marcou 36,6 pontos.
Na metodologia da CNI, o ICEI varia de 0 a 100 pontos. Valores acima de 50 indicam confiança disseminada entre os empresários, enquanto números abaixo desse nível refletem falta de confiança e percepção negativa sobre o ambiente econômico.
ICEI: juros altos travam a confiança
Segundo Marcelo Souza Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, o principal fator por trás da baixa confiança segue sendo o patamar elevado da taxa de juros.
“A confiança do empresário vem baixa desde o início do ano passado, respondendo à elevação da taxa Selic, que aconteceu a partir do fim de 2024. À medida em que a taxa de juros aumentou e os efeitos foram mais sentidos na atividade econômica, a falta de confiança se consolidou”, afirma.
Na avaliação da entidade, o custo do crédito, a restrição ao investimento e o impacto dos juros sobre o consumo seguem como vetores centrais de deterioração do sentimento empresarial.
Presente ainda é visto como pior
O Índice de Condições Atuais, que mede a avaliação dos empresários sobre a situação presente da economia e dos próprios negócios, subiu 0,2 ponto em janeiro e atingiu 44,0 pontos. Apesar da leve melhora, o indicador permanece bem abaixo da linha de 50, sinalizando que, na percepção do setor industrial, as condições atuais seguem piores do que há seis meses.
A decomposição do índice mostra movimentos distintos. A avaliação sobre as próprias empresas ficou menos negativa, alcançando 47,0 pontos. Já a percepção sobre a economia brasileira piorou e recuou para 38,0 pontos, reforçando a leitura de que o ambiente macroeconômico continua sendo o principal fator de pressão sobre a atividade.
Expectativas melhoram, mas só no nível micro
Por outro lado, o Índice de Expectativas avançou 0,7 ponto, passando de 50,0 para 50,7 pontos. O resultado indica que os empresários voltaram a demonstrar expectativas levemente positivas para os próximos seis meses, após um período de neutralidade.
Esse otimismo, no entanto, está concentrado nas perspectivas para o desempenho das próprias empresas, cujo subíndice subiu para 54,8 pontos. Já as expectativas para a economia brasileira permaneceram em terreno pessimista, em 42,5 pontos.
Na prática, os dados revelam um padrão recorrente: o empresário confia mais na própria capacidade de gestão e adaptação do que na trajetória da economia como um todo.
Leitura do mercado sobre o ICEI
O diagnóstico da CNI sugere que a indústria inicia 2026 em um ambiente de cautela estrutural. Mesmo com alguma melhora marginal nas expectativas, a confiança permanece comprimida por fatores macroeconômicos, especialmente pela política monetária restritiva.
O quadro que se desenha é de um setor que tenta operar de forma defensiva, apostando em ajustes internos e eficiência operacional, enquanto enxerga o cenário econômico nacional como o principal risco para a retomada mais consistente da atividade ao longo do ano.













