Após anos de incertezas e paralisações, a Jeddah Tower (antiga Kingdom Tower) voltou a ganhar vida e promete redefinir os limites da engenharia moderna. Localizado na Arábia Saudita, este arranha-céu colossal não busca apenas quebrar recordes, mas estabelecer um novo marco para a humanidade ao ser a primeira estrutura a ultrapassar a barreira de 1 quilômetro de altura vertical.
A construção da Jeddah Tower foi realmente retomada?
Sim, as obras estão a todo vapor novamente. Após uma longa pausa iniciada em 2018 devido a questões contratuais e à pandemia, a Jeddah Economic Company (JEC) oficializou o retorno das atividades, com novas licitações e contratos assinados para garantir o término do projeto. O objetivo é ambicioso, mas claro: entregar o edifício completo por volta de 2028.
Atualmente, dezenas de andares já estão erguidos e visíveis no horizonte da cidade de Jeddah. O cronograma atualizado reflete um esforço renovado do reino saudita para cumprir sua agenda de desenvolvimento, transformando o local em um canteiro de obras frenético que opera 24 horas por dia para recuperar o tempo perdido.

Como um prédio de 1 km resiste à força do vento?
Construir algo tão alto exige vencer um inimigo invisível e poderoso: o vento. Para garantir que a torre não oscile perigosamente, os arquitetos do escritório Adrian Smith + Gordon Gill Architecture desenharam uma base em formato de “Y”, inspirada nas dobras das folhas de uma planta do deserto.
Essa geometria tripartida serve a dois propósitos vitais: estabilidade estrutural e aerodinâmica. À medida que o prédio sobe, sua forma se afina suavemente, “confundindo” o vento e impedindo a formação de vórtices organizados que poderiam balançar a estrutura.
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Fundação profunda: Estacas de concreto com mais de 100 metros de profundidade.
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Aerodinâmica: O perfil cônico reduz a carga de vento.
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Materiais: Concreto de alta performance capaz de suportar pressões extremas.
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Jeddah Tower vs Burj Khalifa: qual a real diferença?
A comparação é inevitável, já que ambos os projetos compartilham o mesmo arquiteto principal, Adrian Smith. No entanto, a Jeddah Tower foi projetada para superar o atual detentor do recorde, o Burj Khalifa em Dubai, em pelo menos 172 metros. Enquanto o ícone de Dubai tem 828 metros, a torre saudita ultrapassará a marca de 1.000 metros (1 km).
Segundo dados do Council on Tall Buildings and Urban Habitat (CTBUH), essa diferença de altura não é apenas uma antena ou pináculo decorativo, mas inclui andares habitáveis em altitudes nunca antes exploradas. O mirante da Jeddah Tower, por exemplo, será significativamente mais alto, oferecendo uma vista que desafia a curvatura da Terra.
No vídeo a seguir, o perfil do Andre Dodorico, com mais de 100 mil seguidores, fala um pouco sobre o projeto:
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O que haverá dentro da torre mais alta do mundo?
A torre não será apenas um monumento vazio; ela funcionará como uma verdadeira cidade vertical autossuficiente. O projeto prevê uma ocupação mista que inclui um hotel de luxo da rede Four Seasons, escritórios corporativos de alto padrão, apartamentos residenciais e condomínios de ultra luxo nos andares superiores.
A “joia da coroa” será o seu observatório circular, que se projeta para fora do edifício como um disco flutuante. Este deck de observação promete ser uma das atrações turísticas mais impressionantes do mundo, permitindo aos visitantes caminharem nas nuvens e observarem o Mar Vermelho de uma perspectiva inédita.
Por que a Arábia Saudita insiste em megaprojetos?
A construção da Jeddah Tower é uma peça central na estratégia “Vision 2030” da Arábia Saudita, que visa diversificar a economia do país para além da exportação de petróleo. O edifício serve como âncora para a Jeddah Economic City, um novo distrito urbano planejado para atrair turismo, comércio internacional e investimentos estrangeiros.
Ao erguer o prédio mais alto do mundo, o país envia uma mensagem global de poder, modernidade e capacidade técnica. É uma jogada de “soft power” similar à feita por Dubai décadas atrás, usando a arquitetura monumental para colocar a cidade no mapa do turismo de luxo e dos negócios globais.

